A consciência humanista não é a voz interiorizada de uma autoridade a que estejamos ansiosos por agradar e receosos de desagradar, é nossa própria voz, presente em todo o ser humano e independente de sanção ou recompensas externas.
Qual a natureza dessa voz? Por que a ouvimos e como podemos tornar-nos surdos a ela?
A consciência humanista é a reação de nossa personalidade total a seu funcionamento adequado ou a seu mau funcionamento, não uma reação a esta ou aquela capacidade, porém à totalidade das capacidades que constituem nossa existência como homens e como indivíduos. A consciência julga nosso funcionamento como seres humanos; ela é o conhecimento intimo da pessoa, conhecimento de nosso sucesso ou fracasso na arte de viver, Mas se bem que a consciência seja conhecimento, é mais do que mero conhecimento no plano do pensamento abstrato. Ela tem uma qualidade afetiva, pois é a reação de nossa personalidade total e não apenas de nossa mente. De fato, não é mister percebermos o que nossa consciência diz para sermos por ela influenciados.
Ações, pensamentos e sentimentos que são propícios ao funcionamento e expansão adequados de nossa personalidade total provocam uma sensação de aprovação intima, de retidão, característica da consciência tranquila humanista. Por outro lado atos, pensamentos e sentimentos nocivos à nossa personalidade total provocam uma sensação de desassossego e mal-estar, característica de uma consciência culpada. A consciência é, pois, uma reação de nós face a nós mesmos. É a voz do verdadeiro eu que nos convoca para nós mesmos, para viver produtivamente, para desenvolver-nos ampla e harmoniosamente _ isto é, para tornarmo-nos aquilo que somos potencialmente. Ela é a guardiã de nossa integridade; é a capacidade de garantir nosso eu com todo o justificado orgulho e também ao mesmo tempo de dizer sim a si mesmo. Se o amor pode ser definido como a afirmação das potencialidades e o desvelo e respeito pela singularidade da pessoa amada, a consciência humanista pode ser como justiça e denominada a voz de nosso desvelo amoroso por nós mesmos.
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amanhã dou prosseguimento
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