A condição do aprendizado de
qualquer arte é uma preocupação suprema com o dominio
dela. Se a arte não for coisa de suprema importancia, o
aprendiz nunca a aprenderá. Ficará no máximo um amador
Esta condição é tão necessária para
arte de
amar como para qualquer outra arte
Não se deve aprender uma arte
diretamente deve-se começar com pequenas coisas
Se
alguém quer tornar-se mestre em alguma arte, deve ter a vida inteira devotada a
ela, ou pelo menos relacionada com ela.
A
própria pessoa se torna um instrumento para a pratica da arte e deve ser
conservada em condições adequadas, de acordo com as funções especificas que tem
a desempenhar.
Com
relação á arte de amar, isto significa que quem aspire a
tornar-se mestre nessa arte deve começar por praticar a disciplina, a
concentração e a paciência, em todas as fases de sua vida
Como
se prática a disciplina?
Levantar-se
cedo pela manhã, não se comprazer em prodigalidades desnecessárias, trabalhar
duro. Este tipo de disciplina tinha deficiências evidentes. Era rígido e
autoritário, centralizado em torno das virtudes da frugalidade e da poupança e
muitos modos hostil à vista Mas, em reação a essa espécie de disciplina, tem havido uma tendência crescente a suspeitar de qualquer disciplina, a fazer da complacência indisciplinada e ociosa pelo resto da vida
o contrapeso e o equilíbrio do modo rotinizado
de vida que nos é imposto durante as oito horas de trabalho.
Levantar-se
a hora regular, dedicar razoável parte do tempo, durante o dia, a atividade
como meditar, ler, ouvir musica, passear, não ceder, pelo menos não além de
certo mínimo, a atividades escapistas como histórias
de mistério e fitas de cinema, não comer e nem beber demais, são algumas regras rudimentares.
É essencial que a disciplina não seja uma regra imposta do exterior, e sim que
seja a expressão da vontade própria de alguém, que seja sentida como agradável,
e que a pessoa vagarosamente se acostume a uma espécie de comportamento que
acabaria por esquecer se parasse de praticá-lo. Um dos aspectos infelizes de
nosso conceito ocidental de disciplina é o de suporta-se uma pratica dolorosa, só
podendo ser boa se for dolorosa. O oriente reconheceu há muito tempo que aquilo que é bom para o homem deve ser também agradável.
3º
Erro cair enamorado e o
estado permanente de estar amando
Se duas pessoas, estranhas, como
todos somos, subitamente deixam ruir a parede que as separa e se sentem
próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e
excitantes experiência da vida. É o que há de mais admirável para quem estava
isolado, sem amor. Esse tipo de amor não é duradouro
As duas pessoas tornaram-se
conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso, e seu
antagonismo suas decepções, seu mutuo fastio acabam por matar tudo quanto
restava de excitação inicial. Essa intensa paixão só prova sua
imensa solidão
2ª
premissa
nada
há a aprender a respeito do amor, tem se a ideia que o problema do amor é o
problema do objeto e não de uma faculdade. Difícil é encontrar a pessoa certa.
A 1ª premissa
baseia-se no de ser amado, em lugar do
de amar, da
capacidade de alguém para amar O problema dessas pessoas é como
serem amadas e como serem amáveis e
não em amar desenvolver a capacidade do amor em si
Quais as razões dessa falência?
1- Concentrar-se
2- Aprender
a ficar só consigo mesmo, sem ler, sem ouvir radio, sem fumar sem beber.
3- Concentrar-se - significa ser capaz de ficar só consigo mesmo
Se me
ligo a outra pessoa porque não posso sustentar-me por meus próprios pés, ele ou
ela podem ser um salva-vidas, mas a relação não é a de amor.
A
capacidade de ficar só é a condição da capacidade de amar, mesmo que pareça
paradoxal.
4- Permitir
que a cabeça se esvazie, não pense em nada, se solte, liberte-se de todos os projetos
e intenções e objetivos.
Ver
uma tela branca e remover todos os pensamentos e imagens que interferem,
acompanhar a própria respiração, não pensar a respeito dela nem forçá-la, mas
só acompanhá-la e ter o senso do seu eu.
Eu =
mim mesmo, como o centro de minhas forças, como o criador de meu mundo.
5- Fazer
esse exercício todo o dia durante 20 minutos e todas as noites ante de dormir.
Sentir seu próprio corpo.
A Natureza Humana – do homem
Temos de chegar á compreensão da natureza humana à base da
mistura de duas condições biológicas fundamentais que assinalam a emergência do
homem. Uma é a determinação cada vez mais decrescente do comportamento pelos
instintos (impulsos orgânicos). O homem pode ser definido como o primata que
emergiu de uma fase da evolução em que a determinação instintiva havia atingido
um mínimo, e o desenvolvimento do cérebro um máximo. O homem é guiado por seu intelecto a formular opções
corretas. Mas sabemos
como esse instrumento é frágil e incapaz de inspirar confiança. É
facilmente influenciável pelos desejos do homem e por suas paixões e cede à sua
influencia. O celebro do homem é insuficiente como substituto dos instintos
enfraquecidos, e também complica muito a tarefa de viver. Refiro-me a
autoconsciência. O homem é o único animal que não apenas conhece os objetos,
mas QUE SABE QUE TEM ESSE CONHECIMENTO DOS OBJETOS. O homem é o único que
tem não apenas a inteligência
instrumental, mas razão, capacidade de usar seu pensamento para compreender
objetivamente, isto é, compreender
a natureza das coisas como realmente são em si mesmas, e não apenas como meio de sua satisfação. Dotado de autoconsciência e de razão, o homem mostra-se
consciente de ser ele um ente separado da natureza e dos outros; mostra-se
consciente do seu desamparo, de sua ignorância, mostra-se consciente de seu
fim: a morte.
A autoconsciência, a razão e
a imaginação conturbam a harmonia que caracteriza a existência
animal. Sua emergência colocou o homem em estado anomalia, a aberração do
universo. É parte da natureza, sujeito às suas leis físicas e incapaz de
transformá-las, não obstante, transcende a natureza. É uma parte posta de lado,
e mesmo assim uma parte, não tem morada, ainda assim acha-se ligado ao lar que
compartilha com todas as criaturas. Atirado a este mundo em um lugar e período
acidentais, vê-se forçado a sair dele, acidentalmente, e contra sua vontade.
Consciente de si mesmo percebe sua desvalia e as limitações de sua
existência. Nunca se vê livre da dicotomia de
sua existência: não pode livrar-se de sua mente, ainda que o quisesse; não pode
livrar-se do seu corpo, enquanto viver- e seu corpo faz com que sinta vontade
de permanecer vivo.
A vida do homem não pode ser vivida repetindo-se o padrão
de sua espécie, ele precisa viver. O
homem é o único animal que não se sente à vontade na natureza, que pode
sentir-se expulso do paraíso, o único animal para quem sua própria existência
constitui um problema que tem de ser resolvido e do qual não pode evadir-se.
Não pode voltar ao estado pré-humano de harmonia com a natureza, e não sabe
aonde irá chegar, se continuar avançando. A contradição existencial do homem
resulta num estado de constante desequilíbrio que o distingue do animal, o qual
vive, por assim dizer, em harmonia com a natureza. Isto não quer dizer, que o
animal viva necessariamente uma vida pacifica e tranquila, mas que tem seu
nicho ecológico especifico, a que suas características físicas e mentais
adaptaram-se pelo processo da evolução. O desequilíbrio existencial do homem –
por isso mesmo, um
desequilíbrio inevitável – pode ser relativamente estável quando tenha
encontrado, com o apoio de sua cultura, uma maneira mais ou menos adequada de
enfrentar seus problemas existenciais.
Mas essa estabilidade relativa não implica que a dicotomia haja desaparecido,
ela acha-se meramente adormecida e torna-se manifesta tão logo as condições de
sua estabilidade relativa se alterem.
Na verdade, no processo da autocriação do homem, essa
estabilidade relativa é conturbada amiúde. O homem, ao longo da sua historia,
altera seu meio-ambiente, e, assim procedendo, altera-se a si mesmo. Seus
conhecimentos ampliam-se, mas assim também ocorre com a consciência da sua
ignorância; experimenta-se a si mesmo como individuo, e não apenas como membro
de uma tribo e, dessa forma, o seu sentimento de marginalidade e de isolamento
aumenta. Cria maiores em ais eficientes unidade sociais, guiados por lideres
poderosos, e torna-se amedrontado e submisso. Atinge certa conquista
de liberdade – e torna-se medroso dessa mesma liberdade aumentada, mas, nesse
processo, torna-se voraz e egoísta, escravo das coisas que criou.
Cada novo estado de desequilíbrio força o homem a procurar
um equilíbrio novo. O que tem sido considerado como impulsão de progresso inata
no homem é a sua tentativa de encontrar um novo equilíbrio e, se possível,
melhor. Essas realizações no fluxo da historia pode levá-lo também a
desenvolvimentos regressivos. Muitas vezes, quando forçado a encontrar uma nova
solução, o homem avança rumo a uma situação de impasse, de que tem de
livrar-se, e é, na verdade, notável que até o momento, na historia, ele tenha
conseguido fazê-lo.
Essas considerações insinuam uma hipótese quanto a definir-se a essência ou a natureza do homem. Penso que a natureza do homem não pode ser definida em
termos de uma qualidade especifica como o amor o ódio, a razão, o bem ou o
mal, mas apenas em termos de contradições
fundamentais que caracterizam a existência humana e que tem suas raízes na
dicotomia biológica entre os instintos ausentes e a autoconsciência. O conflito existencial do homem acarreta determinadas
necessidades psíquicas comuns a todos os homens. Vê-se forçado a superar o
horror da singularização, da desvalia e da situação de desgarrado em que se
encontra, e buscar novas formas de relacionar-se a si mesmo com o mundo a fim
de que esteja habilitado a sentir-se em sua casa. Chamo a essas necessidades psíquicas de existenciais,
porquanto estão arraigadas nas próprias condições da existência humana. São
compartilhadas por todos os homens e a sua satisfação é tão necessária ao homem
para que se mantenha em estado de sanidade como a satisfação DE IMPULSOES ORGANICAS o é para que se mantenha
capacitado a viver. Mas cada uma dessas necessidades pode ser satisfeita de diferentes maneiras de satisfazer as exigências existenciais, tem a
necessidade de se manifestar nas paixões como o amor, a ternura, a luta pela
justiça, pela independência, pela verdade, o ódio, o sadismo, o masoquismo, a
destrutividade, o narcisismo. Chamo-lhes paixões arraigadas no âmbito do
caráter – ou simplesmente paixões humanas = porque acham-se integradas no
caráter do homem.
O caráter é o sistema relativamente permanente de todas as
forças não –instintivas através do qual o homem vincula-se ao mundo humano e a
natural. Pode-se compreender o caráter como
o substituto humano para os instintos animais ausentes. É a segunda natureza do homem. O que todos os homens têm em comum são as impulsões orgânicas e suas necessidades
existenciais. O que não tem em comum são as espécies de paixões dominantes em seu
respectivo caráter – paixões que se acham
enraizadas no âmbito do caráter. A diferença de caráter é amplamente devida á
diferença registradas nas condições sociais (embora as disposições
geneticamente dadas influenciem também a formação do caráter) por essa razão,
as paixões enraizadas no âmbito do caráter podem ser chamadas de uma categoria
histórica, enquanto que os instintos serão uma categoria natural , Não
obstante, as primeiras não são uma categoria histórica pura, porquanto a
influencia social só pode atuar através das condições biologicamente
determinadas pela existência humana.
As necessidades existenciais do homem e as várias paixões
vinculadas ao caráter
Um quadro de orientação e devoção
A capacidade que tem o homem de autoconsciência, de razão e
de imaginação – novas qualidades que vão além da capacidade para o pensamento
instrumental ou dos animais mais inteligentes – exige uma visão do mundo e de
sua posição que seja estruturada e que tenha coesão interna. O homem
necessita de um mapa de seu mundo natural e social, sem o qual ficaria confuso
e incapaz de atuar com sentido e consistentemente. Não teria outro meio de se
orientar e de encontrar para si mesmo, um ponto fixo que lhe permitisse
organizar, para si mesmo, um ponto fixo que lhe permitisse organizar todas as
impressões que atuam sobre ele. Se acreditar em bruxaria e mágica como
explicações finais para todos os acontecimentos, ou no espírito de seus
ancestrais como guias de sua vida e de seu destino, ou ainda num deus
onipotente que o recompensara ou pune, ou no poder da ciência para dar resposta
a todos os problemas humanos – do ponto de vista da necessidade de um quando de
orientação, isso não faz diferença alguma. Seu mundo tem sentido para ele, e
ele sente-se seguro quanto a suas idéias através do consenso dos que o cercam.
Ainda que o mapa esteja errado, preenche uma função psicológica. Mas o mapa
nunca esteve inteiramente errado – nem inteiramente certo, tampouco. Uma
aproximação tem sido sempre bastante para a explicação dos fenômenos que sevem
à finalidade de viver. Somente ate o ponto em que a pratica da vida se vê livre
de suas contradições e sua irracionalidade é que a visão teórica pode
corresponder á verdade.
O fato impressionante é que não encontramos cultura alguma
em que não exista um quadro de orientação como esse. Ou qualquer indivíduo.
Frequentemente, o individuo pode negar que tenha uma tal visão generalizada e
acreditar que reaja aos vários fenômenos e incidentes da vida, caso por caso,
segundo a orientação que lhe dá a sua capacidade de julgar. Mas pode-se
demonstrar facilmente que esse individuo toma a sua filosofia como ponto
pacifico, porquanto ela é, para ele, apenas uma expressão do senso comum e ele
não percebe que todos os seus conceitos apoiam-se num quadro de referencia aceito
comumente. Quando uma pessoa assim se vê diante de uma visão fundamentalmente
diversa, julga isso louco, ou irracional ou infantil, considerando-se a si
mesma como sendo apenas lógica. A necessidade da elaboração de um quadro de
referência é particularmente clara no caso das crianças. Mostram elas, numa
determinada idade, uma profunda necessidade de um quadro de orientação e amiúde
o elaboram elas mesmas, de uma forma engenhosa, utilizando-se dos poucos dados
de que dispõem.
A intensidade da necessidade de um quadro de orientação
explica um fato que tem intrigado muitos estudiosos do homem, a saber a
facilidade com que as pessoas caem sob o dominação de doutrinas irracionais.
Políticas ou religiosas ou de outra natureza qualquer, quando, para quem não
esta sob essa influencia parece obvio que são elas construções sem qualquer
valor. Para da resposta está na influência sugestiva dos lideres e na
sugestionabilidade do homem. Mas isso parece que não é a verdade da historia. O
homem provavelmente não seria tão sugestionável se não fosse pelo fato de que a
necessidade que tem de um quadro de orientação não se mostrasse tão vital.
Quanto mais uma ideologia pretenda dar respostas a todas as questões, tanto
mais atrativa ela é, aqui pode estar a razão por que sistemas de pensamento
irracionais ou ate mesmo insanos possam atrair tão facilmente os homens.
Mas um mapa não é suficiente como guia para a ação, o homem
precisa também de um objetivo que lhe diva para onde caminhar. O animal não tem
problemas dessa espécie. Seus instintos oferecem-lhe um mapa ASSIM COMO OS
OBJETIVOS. Mas o homem, carente da determinação instintiva e dono de
uma mente que lhe permite pensar em varias direções a que pudesse aceder,
precisa de um objeto de devoção total, precisa de um objeto de devoção para que
seja o ponto focal de todas as suas lidas e disputas e a base de todos os seus
valores efetivos – não apenas dos proclamados. Precisa de um objeto de devoção
desse tipo por um sem-número de razoes. O objeto integra suas energias numa
direção única. Eleva-se acima e além de suas existência isolada, com todas as
suas duvidas e insegurança, e dá sentido á vida. Ao devotar-se a um objetivo
que esteja além de seu ego isolado, transcende-se a si mesmo e deixa a prisão
da egocentricidade absoluta.
Os objetos de devoção do homem variam. Ele pode devotar-se
a um ídolo que lhe exija que mate seus filhos ou a um ideal que o faça
protegê-los, pode devotar-se ao crescimento da vida ou à sua destruição. Pode
devotar-se ao objetivo de juntar uma grande o fortuna, de adquirir poder, de
destruição ou de ideal de amara e de ser produtivo e corajoso .Pode devotar-se
às mais diversas finalidades e ídolos, embora a diferença nos objetos de
devoção seja de imensa importância, a necessidade de devoção, em si mesma, é
uma necessidade primaria, existencial, que pode satisfação ,independentemente e
como seja satisfeita tal necessidade.
Obs. O termo transcendência – é tradicionalmente utilizado
num contexto de referencia teológica. O pensamento cristão admite como certo
que a transcendência
Enraizamento
Livro: Revolução da Esperança
Pag.20
Na busca da verdade cientifica, o homem encontrou
conhecimento que poderia usar para dominar a natureza. Ele teve espantosos
êxitos. Mas, na ênfase unilateral dada à técnica e ao consumo material, o homem
perdeu o contato consigo mesmo, com a vida. Tendo perdido a ré religiosa e os
valores humanistas a ela ligados, ele se concentrou nos valores técnicos e
materiais e perdeu a capacidade para experiências emocionais profundas, para a
alegria e a tristeza que os acompanha, A máquina que construiu tornou-se tão
poderosa que desenvolveu seus próprios programas e agora determina o próprio
pensamento do homem.
O que a Esperança Não É – pg. 24,25
O que é ter esperança?
Não é desejos e anseios. Quem tem mais desejos e anseios
são pessoas que cobiçam mais consumo e não pessoas esperançosas. Esperança é
uma vida mais plena, um estado de maior vivencia, uma libertação do enfado
eterno, ou, para usar um termo teológico, a salvação, ou, um termo político, a
revolução? Na verdade, esse tipo de expectativa poderia ser esperança, mas é
não-esperança se tem a quantidade de passividade e de espera – até que a
esperança se torne, de fato, um disfarce para a resignação, uma simples ideologia.
Kakfa descreveu de um modo belo esse tipo de esperança
resignada e passiva numa estória em O processo.
Se tivesse tido mais do que essa esperança passiva, ele
teria entrado, e sua coragem para ignorar os burocratas teria sido o ato
libertador que teria levado ao brilhante palácio. Muitos são como o velho
Kafka. Eles esperam, mas não lhes cabe agir segundo o impulso do
coração e, enquanto os burocratas não lhes dão o sinal verde, eles prosseguem
esperando.
A esperança descrita como esperança pelo tempo. O tempo e o
futuro passam a ser a categoria central desse tipo de esperança. Não se espera
que algo aconteça no agora, mas somente no próximo momento, no dia seguinte, no
próximo ano ou quem sabe em outro mundo. Atrás dessa crença está a idolatria do
Futuro, da Historia e da Posteridade, que começou com a Revolução Francesa com
homens como Robespierre, que adorava o futuro como a uma deusa. Não faço nada,
permaneço passivo porque nada sou, e sou impotente; mas o futuro, a projeção do
tempo, levará a cabo o que não posso realizar. Esse culto do futuro é
precisamente a alienação da esperança. Em vez de algo que faço ou no qual me
torno, os ídolos, o futuro e a posteridade realizam alguma coisa sem que eu
nada faça
Embora a espera passiva seja uma forma disfarçada de
desesperança e impotência, existe outra forma de desesperança e desespero que
assume o disfarce exatamente oposto – o disfarce da criação de frases e o do
aventurismo, da desconsideração pela realidade e do forçar o que não pó ser
forçado. Esta foi a atitude do falso Messias, que tinham desprezo pelos que, em
todas as circunstancias, não preferiam a morte à derrota.. Eles deixam de ser
convincentes pela sua falta de realismo, senso de estratégia e, em alguns, pela
falta de amor pela vida
Natureza da Esperança – pg.27,28,29,30,32
A esperança é paradoxal. Não é nem uma espera passiva nem
um forçar irreal de circunstancias que não podem ocorrer. É como o tigre
agachado que só saltará quando chegar o momento de saltar. Tampouco o
reformismo cansado e o aventurismo pseudo-radical são uma expressão da
esperança. Ter esperança significa estar ponto a todo momento para aquilo que
ainda não nasceu e todavia não se desesperar se não ocorrer nascimento algum
durante nossa existência.. Não faz sentido esperar pelo que já existe ou pelo
que não pode ser. Aqueles cuja esperança é fraca decidem pelo conforto ou pela
violência; àqueles cuja esperança é forte vêem e apreciam todos os sinais da
nova vida e estão prontos a todo instante para ajudar no nascimento daquilo que
está pronto para nascer.
Distinguir entre esperança consciente e inconsciente.
O importante no exame da esperança e da desesperança não é
basicamente o que as pessoas pensam sobre seus sentimentos, mas o que elas
realmente sentem.. Isso pode ser revelado pelas expressões faciais, maneira de
andar, capacidade de reagir com interesse e algo diante dos seus olhos, e pela
sua falta de fanatismo, que é mostrada em sua capacidade de atender a
argumentos racionais.
Do ponto de vista dinâmico, não estamos interessados
basicamente em saber o que uma pessoa pensa ou diz, ou como ela se comporta
agora. Estamos interessados na estrutura do seu caráter – isto é, na estrutura
semipermanente das suas energias, nas direções em que estas são canalizadas e
na intensidade com que elas fluem. Se conhecemos as forças impulsionadoras que
motivam o comportamento, não só compreendemos o comportamento atual como também
podemos fazer suposições razoáveis me circunstâncias modificadas. Na
perspectiva dinâmica, mudanças surpreendentes no pensamento ou no comportamento
de uma pessoa são mudanças que, na maioria, poderiam ter sido previstas dado o
conhecimento da estrutura do seu caráter.
Como acontece com todas as outras experiências humanas as
palavras não bastam para descrever a experiência. Contudo, tomando essas
restrições em consideração, não PE impossível referir-se a experiências de
sentimentos em palavras que não são as da poesia. Isso não seria possível se as
pessoas não partilhassem a experiência sobre o que se fala, pelo menos em certo
grau.. Descrever isso significa mostrar os vários aspectos da experiência e,
assim, estabelecer uma comunicação na qual o autor e o leitor sabem que ambos
se estão referindo à mesma coisa. Ao fazer essa tentativa, devo pedir ao leitor
que trabalhe comigo e não espe5re que eu lhe dê uma resposta à pergunta o que é
a esperança. Devo pedir-lhe que mobilize suas próprias experiências a fim de
possibilitar o nosso dialogo.
Ter esperança é um estado de ser. É uma disposição interior,
aquela atividade intensa, mas ainda não gasta. O conceito de atividade se
baseia numa das mais divulgadas ilusões do homem na sociedade industrial.. Está
centrada na atividade no sentido de estar ocupado, e estar ocupado no sentido
de ocupação necessária aos negócios.. Com efeito, a maioria das pessoas é ativa
que não suporta não fazer nada. O temido é o momento em que você realmente não
tem nada para fazer. Elas precisam constantemente do estimulo exterior, seja a
conversa com outra pessoa, o cinema. Elas precisam ser incitadas, ser ligadas,
tentadas, seduzidas. Elas precisam ser incitadas, ser ligadas, tentadas
seduzidas. Elas sempre correm, não param nunca. Caem por, nunca se levantem. E
sempre se imagina. Imensamente ativas, embora sejam impulsionadas pela obsessão
de fazer algo a fim de fugir à ansiedade despertada quando elas são confrontas
das consigo mesmas.
Fé - pg. 31,32
Quando a esperança desaparece, a vida termina, na realidade
ou potencialmente. A esperança é um elemento intrínseco da estrutura da vida,
da dinâmica do espírito do homem.. A fé não é uma forma fraca de crença ou
conhecimento; não a fé nisto u naquilo; a fé é a convicção sobre o que ainda
não foi provado, o conhecimento da possibilidade real, a consciência da
gravidez. A fé é racional quando se refere ao conhecimento do real que ainda
não nasceu; ela é baseada na capacidade de conhecimento e compreensão, que
penetra a superfície e vê o âmago. A fé, como a esperança, não pé a previsão do
futuro; é a visão do presente num estado de gravidez. A afirmação de que a fé é
certeza necessita de uma restrição. É certeza sobre a realidade da
possibilidade – mas não é certeza no sentido da previsão indiscutível. A
criança pode morrer no parto, pode morrer nas duas semanas de vida. Este é o
paradoxo da fé: é a certeza do incerto.[1]É certeza em termos da visão e compreensão do homem;
não é certeza em termos do resultado final da realidade. Não precisamos de ter
fé naquilo que é cientificamente previsível, nem tampouco pode haver no que é
impossível. A fé é baseada em nossa experiência de vida, de nos transformarmos.
A fé que outros podem mudar PE o resultado da experiência de que posso mudar.
Distinção entre a fé racional e irracional. A fé racional é
o resultado da atividade interior da pessoa, em pensamento ou sentimento, a fé
irracional é submissão a determinada coisa que se aceita como verdadeira,
independentemente de sê-lo ou não. O elemento essencial em toda fé irracional é
seu caráter passivo. Até mesmo o cientista precisa estar livre da fé irracional
nas idéias tradicionais a fim de ter fé racional no poder do seu pensamento
criador. Uma vez provada a sua descoberta, ele não precisa mais de fé, exceto
na próxima etapa que ele estuda. Na esfera das relações humanas, ter fé em
outra pessoa significa estar certo das suas atitudes fundamentais. No mesmo
sentido, podemos ter fé em nós mesmos – não na constância das nossas opiniões =
mas na nossa orientação básica com relação à vida, na matriz da estrutura do
nosso caráter. Essa fé é condicionada pela experiência do eu, pela nossa capacidade
dizer eu legitimamente, pelo sentido da nossa identidade.
A esperança é o estado de espírito que acompanha a fé. A fé
não poderia ser sustentada sem o estado de espírito da esperança. A esperança
não pode basear-se senão na fé
A Firmeza – pg.32,3334
Na estrutura da vida existe outro elemento ligado à
esperança e à fé: a coragem ou, firmeza (Spinoza). A firmeza é a capacidade de
resistir à tentação de se comprometer a esperança e a fé, transformando-as – e
assim destruindo-as – em otimismo vazio ou em fé irracional. A firmeza é a
capacidade dizer não quando o mundo quer ouvir sim.
A firmeza tem outro aspecto o destemor. As pessoas
destemida não temem ameaças, nem mesmo a morte. Destemor abrange varias
atitudes inteiramente diferentes. Menciono as três mais importantes:
1) Uma pessoa pode ser
destemida porque não se importa de viver, para ela a vida não vale muito, tem
medo de viver. Ela procura situações perigosas a fim de evitar seu medo da
vida, de si própria e dos outros.
2) Destemor é o da pessoa que
vive em submissão simbiótica a um ídolo, seja ele uma pessoa, uma instituição
ou uma idéia; as ordens do ídolo são sagradas; até mesmo são muito mais
obrigatórias do que os comandos de sobrevivência do sue corpo. Se pudesse
desobedecer ou duvidar desses comandos do ídolo, ela enfrentaria o perigo de
perder sua identidade com o ídolo; isso significa que ela estaria correndo o
risco de se encontrar totalmente isolada e, assim, à beira da loucura. Ela está
disposta a morrer porque teme expor-se a esse perigo.
3) O terceiro tipo de destemor
é encontrado na pessoa plenamente desenvolvida, que se apóia dentro de si
própria e ama a vida. A pessoa que superou a cobiça não se prende a nenhum
ídolo ou a qualquer coisa e não tem nada a perder: ela PE rica porque está
vazia, é forte porque não é escrava dos seus desejos. Pode abandonar os ídolos,
os desejos irracionais e as fantasias porque está em pleno contato com a
realidade dentro e fora de si mesma.
Se essa pessoa atingiu o
esclarecimento total, ela é completamente destemida. Se ela se moveu para essa
meta sem tê-la atingido, seu destemor também não será completo. Mas qualquer um
que tente dirigir-se para o estado de ser plenamente ele próprio sabe que,
sempre que se dá mais um passo rumo ao destemor, há o despertar de um
sentimento de força e alegria inconfundíveis. Ele sente como se uma nova fase
da vida tivesse começado; pode sentir a verdade dos versos de Goethe: Coloque
minha casa sobre o nada, é por isso que o mundo inteiro é meu.
Sendo qualidades essenciais da vida, a esperança e a fé
estão pela própria natureza, movendo-se rumo à transcendência do status quo,
individual e socialmente. É uma das qualidades de toda a vida que está num
constante processo de mudança e jamais permanece a mesma em qualquer momento
determinado.
A vida que estagna tende a morrer; se a estagnação é
completa, a morte ocorreu. Segue-se que a vida, em suas qualidades moveis,
tende a romper e vencer o status quo. Ficamos mais fortes ou mais fracos, mais
sábios ou mais tolos, mais corajosos ou mais covardes. Cada segundo é um
momento de descrição, para melhor ou para pior. Alimentamos nossa indolência,
cobiça ou ócio, ou deixamo-lo à míngua. Quanto mais o alimentamos, tanto mais
forte ele cresce; quanto mais o deixamos à míngua, tanto mais fraco ele se
torna.
Se não cresce declina; se não transcende o status quo para
melhor, muda para pior. Desde o momento em que ficarmos parados, começamos a
declinar.
Ressurreição –pg.34,35
A transformação dessa realidade rumo à maior vivência. O
homem e a sociedade são ressuscitados a cada momento no ato de esperança e de
fé no momento presente; todo ato de amor, de estado de ser cônscio, de
compaixão e ressurreição; todo ato de preguiça, de cobiça, de egoísmo, é morte.
Cada momento de existência nos põe em confronto com alternativas de
ressurreição ou morte; a cada momento damos uma resposta. Essas respostas estão
não no que dizemos ou pensamos, mas no que somos, na maneira como agimos, para
onde nos estamos dirigindo.
A destruição da Esperança - pg.37,38,39,40
Se a esperança, a fé e a firmeza são acompanhamentos da
vida, como é que tantos perdem a esperança, a fé e a firmeza e amam sua
servidão e dependência? É precisamente a possibilidade dessa perda que é
característica da existência humana. A esperança, a FÉ E A FIRMEZA – ELAS
SÃO QUALIDADES INCONSCIENTES DE NÃO PENSAMENTO DO ESPERMATOZOIDE E DO OVULO, DA
SUA UNIAO, DO CRESCIMENTO DO FETO E DO SEU NASCIMENTO. Mas, quando a vida
começa, as vicissitudes do ambiente e dos acidentes principiam a incrementar ou
bloquear o potencial da esperança.
Temos esperança de ser amados – não apenas de ser afagados
e alimentados, mas de ser compreendidos, cuidados e respeitados. Esperamos ser
capazes de confiar. Quando crianças não conhecíamos a invenção da mentira com
palavras, , mas também com a voz, gestos, olhos e com a expressão facial. As
pessoas muitas vezes não falam com sinceridade ou dizem o oposto do que
pretendem dizer
Num determinado ponto da via suas esperanças são desapontas
e ás vezes completamente destruídas. Talvez isso seja bom. Se um homem não
experimentasse o desapontamento da sua esperança de que maneira poderia esta se
tornar forte e inextinguível? De que modo poderia ele evitar o perigo de ser um
sonhador Otimista.
Muita gente reage ao desapontamento da sua esperança
adaptando-se ao otimismo mediano que espera pelo melhor sem se preocupar em
reconhecer que nem mesmo o bom, mas talvez, na verdade, o pior, pode ocorrer.
Enquanto todo mundo assovia essas pessoas também assobiam, e, em lugar de
sentirem sua desesperança, delas parecem participar de uma espécie de concerto
pop. Elas reduzem suas exigências ao que podem obter e nem mesmo sonham com o
que parece estar fora do seu alcance. São membros bem adaptados da manada e
jamais SE SENTEM DESANIMADOS. Elas oferecem o quadro de otimismo resignado -
sendo o otimismo consciente e a resignação inconsciente.
Outro resultado da destruição da esperança é o
endurecimento do coração. Vemos adultos calejados, que, num ponto da sua vida,
talvez aos 5 anos não pode mais ser magoada. Algumas dessas pessoas decidem que
ninguém será capaz de magoá-los, mas que serão capazes de magoar outros. Podem
queixar-se do seu azar em não encontrar qualquer amigo ou ninguém que as ame,
mas não é azar delas, é destino. Tendo perdido a compaixão e a empatia, elas não
tocam em alguém., nem podem ser tocadas. São intocáveis. Não tão raramente,
ocorre um milagre e começa o degelo. Pode ser simplesmente o encontro com uma
pessoa ou cuja preocupação ou o interesse elas crêem, e abrem-se novas
dimensões de sentimento
Outro resultado é a destrutibilidade e a violência. Os
homens não podem viver sem esperança, aquele cuja esperança foi totalmente
destruída odeia a vida. Como ele não pode criar vida, quer destruí-la, o que é
apenas pouco menos do que um milagre, mas de realização muito mais fácil. Ele
quer vingar-se pela sua vida nã0-vivida e o faz lançando –se à destrutibilidade
total de modo que pouco se lhe dá se ele destrói outros ou é destruído.
Tem gente que não tem esperança porque não tem nem mesmo
visão da esperança, são menos violentos do que os que vêem a possibilidade de
esperança reconhecendo que as circunstancias impossibilitam a realização da
suas esperanças. A destrutibilidade é a alternativa da esperança, assim como a
atração pela morte é a alternativa do amor pela vida, e assim como a alegria e
a alternativa para o tédio.
O desenvolvimento da esperança ou da desesperança é
grandemente determinado pela presença da esperança ou do desespero na sua
sociedade. Por mais que a esperança de uma pessoa possa ter sido destruída na
infância, se ela vive num período de esperança e fé, sua própria esperança será
acesa; por outro lado, a pessoa cuja experiência a leva a ser esperançosa,
muitas vezes tenderá a ser deprimida e desanimada quando sua sociedade perdeu o
espírito de esperança.
Síndrome da alienação –pg.55
Sendo passivo, ele não se relaciona ativamente com o mundo
e é forçado a submeter-se aos seus ídolos e ás suas exigências. Por
conseguinte, sente-se indefeso, solitário e ansioso. Tem pouco senso de integridade
ou de identidade própria. A submissão parece ser a única maneira de evitar a
ansiedade intolerável, e mesmo a submissão nem sempre alivia a sua ansiedade.
À parte os traços patológicos arraigados na passividade,
existem outros que são importantes para a compreensão da patologia da
normalidade atual. Refiro-me à cisão cada vez maior entre a função
celebral-intelectual e a experiência afetivo-emocional; e cisão entre o
pensamento e o sentimento, entre a mente e o coração, entre a verdade e a paixão.
O pensamento lógico não é racional se for meramente lógico[1] se não for
orientado pelo interesse pela vida e pela investigação do processo total da
vida em toda a sua solidez e com todas as suas contradições. Por outro lado, não só o
pensamento como também as emoções podem ser racionais.
A racionalidade na vida emocional significa que as emoções
afirmam e ajudam a estrutura psíquica da pessoa a manter um equilíbrio
harmonioso e ao mesmo tempo auxilia o seu crescimento. O amor irracional é amor
que acentua a dependência da pessoa e, por conseguinte, a ansiedade e a hostilidade.
O amor racional é um amor que relaciona intimamente uma pessoa com outra, porém
conserva sua independência e integridade.
A razão surge da fusão do pensamento racional com o
sentimento. Se as duas funções são separadas com força, o pensamento se
deteriora em atividade intelectual esquizóide e o sentimento se deteriora em
paixões neuróticas que danificam a vida.
A cisão entre o pensamento e o afeto conduz a uma doença, a
uma esquizofrenia crônica de baixo grau.
Essa atração pelo não-vivo é uma atração pela morte e pela
corrupção (necrofilia), conduz à indiferença pela vida, em vez de à “reverencia
pela vida”. Os que são atraídos pelo não-vivo são as pessoas que preferem a
“lei e a ordem”, em lugar da estrutura viva, os métodos burocráticos em vez dos
espontâneos, os aparelhos em vez de seres humanos, a repetição em lugar da
originalidade, a arrumação em lugar da exuberância, o entesouramento ao gasto.
Eles querem controlar a vida porque temem sua espontaneidade incontrolável;
preferiam matá-la a se exporem a ela e serem absorvidos pelo mundo que os
rodeia. Sua coragem é a coragem de morrer. Homens que agem como robôs. O
computador pode servir à intensificação da vida, mas a idéia de que ele
substitui o homem e a vida é a manifestação da patologia de hoje. Os
sentimentos do homem seriam determinados pelos seus instintos, sua razão, pelo
computador, o homem não teria de responder às perguntas que sua existência lhe
formula. Esta realização é impossível.
O desaparecimento do isolamento e do contato humano pessoal.
O isolamento é baseado na tendência para o entesouramento,
no qual minha vida privada era minha e de mais ninguém. Era também uma
hipocrisia, da discrepância entre as aparências morais e a realidade. Feitas
essas restrições, o isolamento ainda parece ser uma condição importante para o
desenvolvimento produtivo de uma pessoal. È necessário para que uma pessoa fuja
do barulho e da intrusão de outros, que interferem nos processos mentais da
pessoal. Se todos os dados privados forem transformados em dados públicos, as
experiências tenderão a se tornar mais superficiais e semelhantes. As pessoas
terão medo de sentir a coisa errada; tornar-se-ão mais acessíveis à manipulação
psicológica que tenta estabelecer normas para as atitudes
desejáveis, normais e saudáveis. Pode levar a um controle do individuo. Testes
psicológicos das empresas visam ser uteis para a empresa e não para o bem estar
do homem.
Necessidade de certeza
O homem não está equipado com um conjunto de instintos que
regulem seu comportamento semi-automaticamente. Ele é confrontado com escolhas
e, isso representa riscos graves para a sua vida, se suas escolhas forma
erradas. As dúvidas que o assaltam quando deve decidir, provocam tensão
dolorosa. Ele quer crer que não há necessidade de duvidar que o método pelo
qual ele toma suas decisões é certo. O homem perdeu a coragem de pensar sozinho
e de tomar decisões baseadas em seu total compromisso intelectual e emocional
para com a vida. Ele queria trocar a certeza incerta que o pensamento racional
pode dar por uma certeza absoluta: a suposta certeza científica, baseada na
previsibilidade.
Tanto a decisão religiosa, que é uma rendição cega à
vontade de Deus, quanto a decisão do computador, baseada na fé, na lógica dos
fatos, são formas de decisões alienadas nas quais o homem entrega seu próprio
discernimento, investigação e responsabilidade a um ídolo, seja ele Deus ou
computador. A religião humanista dos profetas desconhecia essa rendição: a
decisão cabia ao homem. Ele tinha de compreender a sua situação, ver as
alternativas e então decidir. A verdadeira racionalidade científica não é
diferente. O computador pode ajudar o homem a visualizar varias possibilidades,
mas a decisão não é tomada para ele, não só no sentido de que ele pode escolher
entre vários modelos, como também no sentido de que deve usar sua razão,
relacionar e responder à realidade com a qual está lidando e extrair do
computador os fatos importantes, do ponto de vista da razão, e os meios
importantes, do ponto de vista da conservação e realização da vivência do
homem. Ele pode cair de qualquer lugar, pode não atingir a meta aspirada e se
tornar um fraco aos olhos da sua família e amigos, mas se segui um ídolo, o
computador não precisa culpar-se, a culpa não é dele é do ídolo. Mas a despeito
da certeza continuará ansioso. A mesma necessidade de estar certo existe no
setor do pensamento, do sentimento e da apreciação estética. O individuo
aprende quais os pensamentos certos, qual o comportamento correto, que
sentimento é normal, que gosto está na moda. Tudo o que ele tem a fazer é ser
receptivo aos sinais da comunicação das massas, e pode ter certeza de que não
cometerá engano.
Fatos são interpretações de acontecimentos, e a
interpretação pressupõe certas preocupações que constituem a importância do
acontecimento. A questão crucial é estar ciente de qual seja a minha
preocupação e, por conseguinte do que os fatos devem ser a fim de serem
importantes. Sou eu o amigo do homem, ou um detetive, ou simplesmente um homem
que quer ver o homem total em sua humanidade? Teria de conhecer o outro e
também conhecer a mim mesmo, meu próprio sistema de valores, o que nele é
genuíno e o que é ideologia, meus interesses egoístas ou não. E é por demais
sabido que não existe modo mais eficaz de distorção do que apresentar apenas
uma serie de fatos.
O fato nada significa sem a avaliação de todo o sistema,
que representa uma análise de um processo no qual nós, como observadores,
também estamos incluídos. Deve-se afirmar que o próprio fato de se ter decidido
escolher certos acontecimentos como fatos nos afeta. Por essa decisão nos
comprometemos a ir em determinada direção, e esse compromisso determina nossa
subsequente seleção de fatos. A ilusão da certeza da decisão de computador,
partilhada por muitas pessoas, apóia-se nas suposições errôneas: a) de que os
fatos são dados objetivos b) de que a programação está livre de normas[2].
Todo planejamento, depende das normas e valores nele
subentendidos. O próprio planejamento é um dos passos mais progressistas dados
pela raça humana. Mas pode ser uma desgraça se for planejamento cego no qual o
homem abdica da sua própria decisão, do seu julgamento de valor e da sua
responsabilidade. Se for planejamento franco, ativo e compreensivo, no qual
todas as finalidades da humanidade estão em plena consciência e orientam o
processo de planejamento, ele será uma bênção. O computador facilita
tremendamente o planejamento, mas, na realidade, sua utilização não altera o
principio fundamental da relação apropriada entre os meios e os fins; somente
seu abuso o alterará.
O que é ser humano
Cada homem traz dentro de si toda a humanidade, o santo bem
como o criminoso. Goethe, não há crime do qual não se possa imaginar ser o
autor. Isso responde a quanto o homem pode ser diferente e, ainda assim ser
humano. Devemos estar preparados para descobrir diferentes
possibilidades humanas, mas em termos das próprias condições da existência
humana da qual todas essas possibilidades surgem como possíveis alternativas.
Essas condições podem ser reconhecidas como resultado não de especulação
metafísica, mas da verificação dos dados da Antropologia, historia, psicologia
infantil e psicopatologia individual e social
As condições da Existência Humana
Carecendo do equipamento instintivo do animal, o homem não
está vem equipado, como os animais, para a fuga ou para o atraque. Ele não sabe
infalivelmente como o salmão sabe onde retornar ao rio para desovar sua cria, e
como muitas aves sabem para que pare do sul ir no inverno e para onde voltar no
verão. Suas decisões não são tomadas para ele pelo instinto. Ele Tem de
tomá-las. Ele enfrenta alternativas, havendo um perigo de fracasso em toda
decisão que toma. \O preço que o homem paga pela consciência é a insegurança.
Ele pode enfrentar sua insegurança estando cônscio e aceitando a condição
humana, e com esperança de que não fracassará mesmo que não tenha garantia de
êxito. Ele não tem certeza; a única previsão certa que pode fazer é: morrerei.
O homem nasceu como uma excentricidade da natureza, estando
dentro dela embora a transcenda. Ele tem de encontrar princípios de ação e de
tomada de decisões que substituem os princípios do instinto; tem de encontrar
uma estrutura de orientação que lhe permita organizar uma imagem coerente do
mundo como condição para ações coerentes; tem de combater não só os perigos da
morte, da Fome e de ferimentos, mas também outro perigo que é especificamente
humano: o de enlouquecer,. Em outras palavras ele tem de se proteger não só
contra o perigo de perecer sua vida como também do perigo de perder seu juízo.
O ser humano, nascido nas condições aqui descritas, realmente enlouqueceria se
não tivesse um sistema de referencia que lhe permitisse, de alguma forma sentir
à vontade ao mundo e de fugir à experiência do desamparo, da desorientação e do
desarraigamento totais. Há muitas maneiras pelas quais o homem pode encontrar
uma solução para a tarefa de manter-se vivo e de continuar em seu juízo
perfeito. Algumas são melhores do que outras, e algumas são piores. Por
melhores referimo-nos a um modo que conduz a maior força, clareza, alegria e
independência; e por pior ao que leva exatamente ao oposto. Porém, mais
importante do que encontrar uma solução melhor é encontrar alguma solução que
seja viável.
Os pensamentos acima levantam o problema da maleabilidade
do homem. Alguns antropólogos acreditam que o homem seja maleável. À primeira
vista, parece ser assim.. Da mesma forma que pode comer carne, ou legumes ou
das duas coisas, ele pode ser escravo ou livre, viver na escassez ou na
abundancia, numa sociedade que aprecie o amor e numa que aprecia a destruição.
Na verdade, o homem pode fazer praticamente tudo ou, talvez melhor, a ordem
social pode fazer quase tudo ao homem. O quase é importante. Mesmos que a ordem
social possa fazer tudo ao homem fazê-lo passar fome, torturá-lo, aprisioná-lo
ou superalimentá-lo – isso não pode ser feito sem certas consequências oriundas
das próprias condições da existência humana. O homem, se for totalmente privado
de todos os estímulos e prazeres , será incapaz de desempenhar a tarefa,
certamente tarefa especializada. Se não for assim totalmente
desamparado, ele se rebelará se tentarmos escravizá-lo; TENDERA A SER VIOLENTO
SE A VIDA FOR DEMASIADO ENFADONHA; TENDERA A PERDER TODA A SUA CAPACIDADE
CRIADORA SE O TRANSORMARMOS NUMA MAQUINA. Nesse aspecto, o homem não difere dos
animais ou da matéria inanimada. Podemos colocar certos animais num jardim
zoológico, mas eles não reproduzirão e outros se tornarão violentos, embora não
o sejam quando em liberdade. Podemos aquecer a água acima de certa temperatura
e ela se transformará em vapor; ou resfriá-la abaixo de certa temperatura e ela
se solidificará. Mas não se pode fazer vapor reduzindo a sua temperatura. A
histo5ia do homem most5ra o que se pode fazer ao homem, e, ao mesmo tempo, o
que não se pode fazer5. Se o homem fosse infinitamente maleável não teria
havido revolução alguma; não teria havido mudança porque uma cultura
teria conseguido fazer o homem submeter-se aos seus padrões sem que ele
repetisse. Mas o homem sendo relativamente maleável, sempre reage com
protestos contra condições que tornam demasiado drástico ou insuportável o
desequilíbrio entre a ordem social e suas necessidades humanas.
A tentativa para reduzir esse desequilíbrio e a necessidade de
estabelecer uma solução mais aceitável e conveniente estão no cerne do homem
surgiu não apenas devido ao sofrimento material; necessidades especificamente
humanas, a serem estudadas mais adiante, são motivação igualmente forte para a
revolução e para a dinâmica da mudança.
Necessidade de Sistemas de Orientação e Devoção -
Pg.77,78,79,80,81,82
Existem várias respostas possíveis para a pergunta
formulada pela exigência humana. Elas centralizam-se em torno de dois
problemas: um, a necessidade de um sistema de orientação;
outro, a necessidade de um sistema
de devoção.
Quais são as respostas para a necessidade de um sistema de
orientação? Uma resposta é submeter-se a um líder forte que admite reconhecer o
que é melhor para o grupo, que planeja e dá ordens e que promete a todos que,
seguindo-o, ele age no melhor interesse de todos. Admite-se que ele
seja onipotente, onisciente e sagrado, que Le próprio, o líder, seja
um deus, ou o sumo sacerdote de um deus, conhecedor de todos os segredos do
cosmo. Em seu desejo de segurança, os homens apreciam sua própria dependência,
especialmente se esta lhes é facilitada pelo conforto relativo da vida material
e por ideologias que dão o nome de educação à lavagem celebral e de liberdade à
submissão.
Porém o homem não está fadado a ser carneiro. Com efeito,
visto não ser um animal, o homem tem um interesse em estar ligado à realidade e
cônscio dela, em sentir a terra com os pés, como na lenda grega de Anteu; o
homem é mais forte quanto mais plenamente ele está em contato com a realidade. Enquanto ele é carneiro mais fraco ele é como homem. Qualquer mudança no
padrão social ameaça-o com intensa insegurança e até mesmo com a loucura porque
toda a sua relação com a realidade é mediada pela realidade fictícia que lhe é
oferecida como real. Quanto mais ele pode compreender sozinho a realidade e não
como um dado que a sociedade lhe oferece, tanto mais seguro ele se sente porque
depende menos do consenso geral e, é menos ameaçado pela mudança social . O
homem tem uma tendência inata para ampliar seu conhecimento da realidade e isso
significa aproximar-se da verdade.. Não estamos lidando aqui com um conceito
metafísico de verdade, mas com um conceito de aproximação cada vez maior, que
representa a diminuição da fixação e da ilusão. Comparada com a importância
desse aumento ou redução da compreensão que se tem da realidade, a questão de
saber se existe uma verdade ultima sobre qualquer coisa permanece inteiramente
abstrata e despropositada. O processo do aumento de percepção nada mais é que
o processo do despertar, do abrir os olhos e ver o que está na frente. A
percepção significa a eliminação das ilusões e, na medida em que isso é feito,
é um processo de libertação.
A percepção da realidade existente e das alternativas para
seu aperfeiçoamento ajuda a mudar a realidade, e todo aperfeiçoamento da
realidade ajuda o esclarecimento do pensamento.
O homem não só tem uma mente e necessita de um sistema de
orientação que lhe permita compreender e estruturar o mundo que o rodeia; ele
também tem um coração e um corpo que precisam ser ligados emocionalmente ao
mundo – ao homem e á natureza. O homem, isolado pela percepção de si mesmo e
pela capacidade de sentir-se seria uma indefesa partícula de pó soprada pelos
ventos se não encontrasse laços emocionais que satisfizessem sua necessidade
de ser relacionado e unificado com o mundo situado além da sua pessoa. No caso
de sua mente, algumas possibilidades são melhores do que outras; mas o que ele
mais precisa para conservar seu juízo é de algum laça ao qual se sinta
firmemente ligado. A pessoa que não tem esses laços é, por definição, louca,
incapaz de qualquer ligação emocional com seu próximo.
A mais fácil forma de ligação do homem são seus laços
básicos com sua origem – com o sangue, o solo, com a mãe e o pai ou, numa
sociedade mais complexa com sua nação, religião.. Esses laços satisfazem o
anseio de um homem que não cresceu a ponto de ser ele próprio, de superar a sensação
de isolamento insuportável.. Esses laços básicos que são naturais e necessários
para o bem em sua relação com a mãe.
O homem encontra seus laços emocionais ligando-o a uma
autoridade superior a quem obedece cegamente. Permanecendo ligado à natureza, à
mãe ou ao pai, o homem, na realidade, consegue sentir-se á vontade no mundo,
mas paga um preço extraordinário por essa segurança, o da submissão,
dependência e de um bloqueio ao desenvolvimento total da sua razão e da sua
capacidade de amar. Ele continua sendo criança quando deveria tornar-se adulto.
Os laços primitivos de laços incestuosos com a mãe, solo,
raça, de êxtases benignos e malignos, só podem desaparecer se o homem encontrar
uma forma superior de se sentir à vontade no mundo, se houver desenvolvimento
não só do seu intelecto, mas também da sua capacidade de sentir-se relacionado
sem se submeter, à vontade sem ser prisioneiro, intimo sem ser sufocado. A
solução para a existência humana não era o retorno à natureza nem na obediência
cega à figura paterna, mas numa nova visão de que o homem pode novamente
sentir-se à vontade no mundo e vencer sua sensação de apavorante solidão; que
ele pode alcançar isso pelo desenvolvimento dos seus poderes humanos, da sua
capacidade de amar, de usar sua razão, de criar e gozar a beleza,
de partilhar sua humanidade com seu próximo.
O novo laço
Necessidades de sobrevivência e Transobrevivência -
Pg.82,83,84,85,86,87,88
Experiências Humanas -Pg.88,89,90
Experiências humana (de sentimentos)
Não cobiça pg.90,91
A cobiça é uma qualidade comum de desejos pelos quais os
homens são impulsionados a atingir determinada meta. No sentimento não-cobiçoso, o homem não é impulsionado, não é passivo, e sim livre e ativo. È
desequilíbrio psicológico, especialmente na presença de acentuadas ansiedade,
solidão, insegurança, falta de identidade etc., aliviado pela satisfação de
certos desejos como os de alimentação e satisfação sexual, fama etc.. è
egocêntrica. A pessoa cobiçosa quer algo exclusivamente para si e aquilo pelo
qual ela satisfaz seu desejo é apenas um meio para suas próprias finalidades. A
outra pessoa se torna objeto.
Não cobiçoso existe pouco egocentrismos. Não se precisa da
experiência para conservar a própria vida, acalmar a ansiedade ou satisfazer ou
enaltecer o próprio ego; ela não serve para aliviar uma tensão poderosa, mas
começa onde termina a necessidade, no sentido de sobrevivência ou de aclamar a
ansiedade. No sentido não–cobiçoso, a pessoa pode soltar-se, não se esta
apegando compulsivamente ao que tem e o que deseja ter, mas é acessível e
compreensiva. O amor cria o desejo. Um homem e uma mulher podem sentir uma
profunda sensação de amor um pelo outro, em termos de interesse, conhecimento,
intimidade, responsabilidade, que essa profunda experiência humana pode levar
ou não ao desejo de união física.
Ternura – pg.92
Algumas outras experiências humana, sem afirmar que a
descrição que se segue seja de modo algum, exaustiva. A ternura, compaixão e
empatia, respeito e conhecimento.
Ternura está relacionada com o desejo sexual não-cúpido,
mas é diferente dele. É uma experiência sui generis. Sua característica é que
ela está livre da cobiça. Na experiência da ternura a pessoa não quer nada da
outra. Ela não tem meta ou propósito particular. É mais primorosamente descrita
na maneira como uma pessoa pode tocar outra, olhá-la, ou em seu tom de voz.
Pode-se dizer que tem raízes na ternura que a mãe sente pelo filho, mesmo assim
transcende porque está livre do laço biológico que a liga à criança e do elemento
narcisista no amor materno. Ela não só está livre da cupidez como também da
pressa e do propósito. Entre todos os sentimentos que o homem criou em si
durante sua historia, talvez não haja nenhum que supere a ternura na pura
qualidade de ser simplesmente humana.
Compaixão e empatia pg.92,93
Sentimentos relacionados com a ternura, mas que não são
inteiramente idênticos a ela.
A essência da compaixão é a de que a pessoa sobre com ou,
num sentido mais amplo, sente com outra pessoa. Isso quer dizer que a pessoa
não olha para a outra do lado de fora – a pessoa sendo o objeto do meu
interesse ou preocupação – mas que se coloca dentro da outra. Isso quer dizer
que experimento dentro de mim o que ela sente. Trata-se de uma inter-relaçao
que não é do eu para o tu, mas uma que é caracterizada pela frase eu sou tu.
Compaixão e empatia subentende que experimento dentro de
mim o que é experimentado pela outra pessoa e consequentemente que, nessa
experiência, ela e eu somos um. Todo o conhecimento da outra pessoa só é
conhecimento real se for baseado na experiência, em mim, daquilo que ela sente.
Se esse não for o caso, e a pessoa continua sendo um objeto, posso saber muito
a respeito dela, mas não a conheço (e não colher dados a respeito dela, não
resulta de dados fornecidos sobre a historia da vida da pessoa). Goethe O homem
só se conhece a si mesmo dentro de si mesmo e está cônscio de si mesmo dentro
do mundo. Cada novo objeto verdadeiramente reconhecido abre um novo órgão
dentro de nós.
Esse conhecimento se baseia no sentido de que cada pessoa
traz dentro de si toda a humanidade, interiormente somos santos e criminosos e,
por conseguinte não existe nada no outro que não possa sentir como parte de mim
mesmo, experiência exige que nos libertemos da estreiteza.
Não expressam inter-relação com outra pessoa, estando mais
dentro da pessoa
Conhecer os homens no sentido de conhecimento compassivo e
empático exige que nos livremos dos laços tacanhos de determinada sociedade,
raça ou cultura, e penetramos até as profundezas daquela realidade humana na
qual todos somos apenas humanos. A verdadeira compaixão e o conhecimento do
homem tem sido grandemente depreciados como fatos revolucionário no
desenvolvimento do homem, assim como acontece com a arte.
Interesse - pg.94
Ternura, amor e compaixão são delicadas experiências de
sentimentos. Quero agora cuidar de algumas experiências humanas que não são tão
claramente identificadas como sentimentos, sendo mais tratadas como atitudes.
Sua diferença é que elas não expressam a inter-relaçao com outra pessoa, sendo
mais propriamente, contidas dentro da pessoa e que se referem a
outros.
Interesse – usando em sentido original e mais profundo, e
isso representa devolver-lhes sua própria dignidade.
Interesse vem do latim interesse, isto é, estar entre. Se
estou interessado, devo transcender meu ego, ser aberto para o mundo e saltar
dentro dele. O interesse baseia na atividade. É a atitude relativamente
constante que permite que, a qualquer momento, a pessoa compreenda,
intelectualmente e também emocional e sensualmente, o mundo exterior. A pessoa
interessada torna-se interessante para outras porque o interesse tem uma
qualidade infecciosa que desperta interesse nos que não podem iniciá-lo sem
ajuda. O significado de interesse torna-se ainda mais claro quando pensamos no
seu oposto: a curiosidade. A pessoa curiosa é basicamente passiva. Ela quer ser
alimentada com conhecimento e sensações em nunca se satisfaz porque a qualidade
da informação e um substituto para a qualidade da profundidade do conhecimento.
A curiosidade, pela sua própria natureza, realmente nunca responde à pergunta:
Quem á a outra pessoa?
O interesse tem muitos objetos: pessoas, plantas, idéias e
depende, até certo ponto do caráter especifico de uma pessoa quanto ao
que saio os seus interesses. Os objetos são secundários, o interesse
é uma atitude que tudo penetra e uma forma de inter-relaçao com o mundo e, num
sentido muito amplo defini-lo como o interesse da pessoa viva em tudo o que
vive e que cresce. Se o interesse é genuíno desperta o interesse em outros
setores.
Responsabilidade – pg.95,96 identidade e integridade
Dever é um conceito no âmbito da passividade enquanto
responsabilidade é um conceito no âmbito da liberdade. A consciência humanista
é a disposição para ouvir a voz da sua própria humanidade e
independem de ordens dadas por qualquer outra pessoal. Dever vem da
consciência autoritária.
Identidade – pg. 96,97,98
Identidade não diz respeito a coisas, mas somente ao homem.
È uma experiência que permite que uma pessoa diga
legitimamente eu – eu como um centro organizador ativo da estrutura de todas as
minhas atividade, reais ou potenciais. Essa experiência do eu só existe no
estado de atividade espontânea, mas não existe no estado de passividade ou
semi-atençao, um estado em que as pessoas estão suficientemente despertas para
cuidas dos seus negócios, mas não o bastante para sentir um eu como o centro
ativo dentro de si mesma. Esse conceito de eu é diferente do conceito de ego. A
experiência do meu ego é ]a experiência de mim mesmo como uma coisa, do corpo
que tenho, da memória que tenho, do dinheiro, casa, posição social. Poder,
filhos e dos problemas que tenho. Encaro-me como a UMA COISA, E NO MEU PAPEL
SOCIAL É OUTRO ATRIBUTO DE CONDIÇAO FISICA. Muita gente confunde facilmente a
identidade do ego com a identidade do eu ou personalidade. A diferença é
fundamental. A experiência do ego e da identidade do ego é baseada no conceito
de ter. Eu tenho como tenho todas as outras coisas que este mim possui. A
identidade do eu ou personalidade refere-se á categoria de ser e não de ter. Eu
sou eu na medida em que alcanço minha integração entre a minha aparência – para
outros e para mim mesmo – e o âmago da minha personalidade de identidade do
nosso tempo é baseada essencialmente e concretização cada vez maiores do homem
na media em que o homem retornar novamente a ser ativo.. Não existem atalhos
para a crise de identidade exceto a transformação do homem alienado no homem
vivo.
Sinto-me triste, confuso. O ego estático e imóvel
relaciona-se com o mundo em termos de ter objetos, ao passo que a personalidade
está relacionada com o mundo no processo de participação. O homem moderno tem
tudo, um carro, casa, emprego filhos problemas – Ele não é nada.
Um conceito que pressupõe o de identidade é o da
integridade. Integridade significa uma disposição de não violar sua própria
identidade nas muitas maneiras como essa violação PE possível. Às vezes as
pessoas tem um senso de identidade inconsciente, quando cedem à tentação de
violar sua identidade tem um sensação de culpa
A identidade e a integridade nos leva a
mencionar a vulnerabilidade.
Vulnerabilidade – pg.98,99
O individuo que se sente como um ego e cujo sentido de
identidade é o da identidade do ego naturalmente quer proteger essa coisa –
ele, seu corpo, memória, propriedade, etc, mas também suas opiniões e
investimentos emocionais que se tornaram parte do seu ego. Ele está
constantemente na defensiva contra qualquer um ou qualquer experiência que
possa perturbar a permanência e a solidez da sua existência mumificada. Em
contraste, a pessoa que se sente como não tendo, e sim como sendo, permite-se
ser vulnerável. Nada lhe pertence senão que ela é estando viva. Mas em cada
momento que perde seu senso de atividade, em que esta desconcentrada, ela corre
o perigo de não ter nada e de ser ninguém. Esse perigo só pode ser enfrentado
estando-se constantemente alerta, desperto e ativo e ela, é vulnerável, em
comparação com o homem-ego, que está seguro porque ele tem sem ser.
Agora falaríamos da esperança, fé e da coragem como outras
experiências humanas.
Outra experiência humana que está implicitamente subjacente
nos conceitos estudados a Transcendência.
Transcendência – pg. 99
A base da ternura, compaixão, interesse, responsabilidade é
precisamente a de ser versus ter. Significa abandonar o próprio ego, abandonar
a cobiça, esvaziar-se a fim de se encher de si mesmo a fim de ser rico.
Em nosso desejo de sobreviver fisicamente, obedecendo ao
impulso biológico gravado em nós desde o nascimento e transmitido pelos milhões
de anos de evolução. O de estar vivo para além da sobrevivência é a criação do
homem na historia, sua alternativa para o desespero e o fracasso.
Este estudo das experiências humanas culmina na afirmação
de que a liberdade é uma qualidade de ser plenamente humano. Porque
transcendemos o âmbito da sobrevivência física e porque não somos impulsionados
pelo medo, impotência, narcisismo, dependência etc., transcendemos a compulsão
Amor, ternura, razão, interesse, integridade e identidade são todos filhos da
liberdade.
Valores e Normas - pg. 100,102,103,104
O homem tem necessidade de ter valores que orientem suas
ações e sentimentos.
Pg.135,136
......................................
[1] O pensamento paranóide é
caracterizado pelo fato de que pode ele ser completamente lógico, embora careça
de investigação da realidade; a lógica não exclui a loucura.
[2] Ozbekhan afirmou que o planejamento normativo
deve preceder o planejamento estratégico e tático.
[1] Fé significa certeza em hebraico. Amém quer
dizer certamente.
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