ERIC FROMM

A condição do aprendizado de qualquer arte é uma preocupação suprema com o dominio dela. Se a arte não for coisa de suprema importancia, o aprendiz nunca a aprenderá. Ficará no máximo um amador

Esta condição é tão necessária para arte de amar como para qualquer outra arte

Não se deve aprender uma arte diretamente deve-se começar com pequenas coisas


Se alguém quer tornar-se mestre em alguma arte, deve ter a vida inteira devotada a ela, ou pelo menos relacionada com ela.



A própria pessoa se torna um instrumento para a pratica da arte e deve ser conservada em condições adequadas, de acordo com as funções especificas que tem a desempenhar.

Com relação á arte de amar, isto significa que quem aspire a tornar-se mestre nessa arte deve começar por praticar a disciplina, a concentração e a paciência, em todas as fases de sua vida

Como se prática a disciplina? 

Levantar-se cedo pela manhã, não se comprazer em prodigalidades desnecessárias, trabalhar duro. Este tipo de disciplina tinha deficiências evidentes. Era rígido e autoritário, centralizado em torno das virtudes da frugalidade e da poupança e muitos modos hostil à vista Mas, em reação a essa espécie de disciplina, tem havido uma tendência crescente a suspeitar de qualquer disciplina, a fazer da complacência indisciplinada e ociosa pelo resto da vida o contrapeso e o equilíbrio do modo rotinizado de vida que nos é imposto durante as oito horas de trabalho.

Levantar-se a hora regular, dedicar razoável parte do tempo, durante o dia, a atividade como meditar, ler, ouvir musica, passear, não ceder, pelo menos não além de certo mínimo, a atividades escapistas como histórias de mistério e fitas de cinema, não comer e nem beber demais,  são algumas regras rudimentares.

É essencial que a disciplina não seja uma regra imposta do exterior, e sim que seja a expressão da vontade própria de alguém, que seja sentida como agradável, e que a pessoa vagarosamente se acostume a uma espécie de comportamento que acabaria por esquecer se parasse de praticá-lo. Um dos aspectos infelizes de nosso conceito ocidental de disciplina  é o de suporta-se uma pratica dolorosa, só podendo ser boa se for dolorosa. O oriente reconheceu há muito tempo que aquilo que é bom para o homem deve ser também agradável.


3º Erro  cair enamorado e o estado permanente de estar amando

Se duas pessoas, estranhas, como todos somos, subitamente deixam ruir a parede que as separa e se sentem próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e excitantes experiência da vida. É o que há de mais admirável para quem estava isolado, sem amor. Esse tipo de amor não é duradouro

As duas pessoas tornaram-se conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso, e seu antagonismo suas decepções, seu mutuo fastio acabam por matar tudo quanto restava de excitação inicial. Essa intensa paixão só prova sua imensa solidão

2ª premissa nada há a aprender a respeito do amor, tem se a ideia que o problema do amor é o problema do objeto e não de uma faculdade. Difícil é encontrar a pessoa certa.

A   premissa baseia-se no de ser amado, em lugar  do de amar, da capacidade de alguém para amar O problema dessas pessoas é como serem amadas e como serem amáveis e não em amar desenvolver a capacidade do amor em si

Quais as razões dessa  falência?

1- Concentrar-se

2- Aprender a ficar só consigo mesmo, sem ler, sem ouvir radio, sem fumar sem beber.

3- Concentrar-se - significa ser capaz de ficar só consigo mesmo

Se me ligo a outra pessoa porque não posso sustentar-me por meus próprios pés, ele ou ela podem ser um salva-vidas, mas a relação não é a de amor.

A capacidade de ficar só é a condição da capacidade de amar, mesmo que pareça paradoxal.

4- Permitir que a cabeça se esvazie, não pense em nada, se solte, liberte-se de todos os projetos e intenções e objetivos.

Ver uma tela branca e remover todos os pensamentos e imagens que interferem, acompanhar a própria respiração, não pensar a respeito dela nem forçá-la, mas só acompanhá-la e ter o senso do seu eu.

Eu = mim mesmo, como o centro de minhas forças, como o criador de meu mundo.

5- Fazer esse exercício todo o dia durante 20 minutos e todas as noites ante de dormir. Sentir seu próprio corpo.


A Natureza Humana – do homem
 Temos de chegar á compreensão da natureza humana à base da mistura de duas condições biológicas fundamentais que assinalam a emergência do homem. Uma é a determinação cada vez mais decrescente do comportamento pelos instintos (impulsos orgânicos). O homem pode ser definido como o primata que emergiu de uma fase da evolução em que a determinação instintiva havia atingido um mínimo, e o desenvolvimento do cérebro um máximo. O homem é guiado por seu intelecto a formular opções corretas.  Mas sabemos como esse instrumento é frágil e incapaz de inspirar confiança. É facilmente influenciável pelos desejos do homem e por suas paixões e cede à sua influencia. O celebro do homem é insuficiente como substituto dos instintos enfraquecidos, e também complica muito a tarefa de viver. Refiro-me a autoconsciência. O homem é o único animal que não apenas conhece os objetos, mas QUE SABE QUE TEM ESSE CONHECIMENTO DOS OBJETOS. O homem é o único que tem não apenas a inteligência instrumental, mas razão, capacidade de usar seu pensamento para compreender objetivamente, isto é, compreender a natureza das coisas como realmente são em si mesmas, e não apenas como meio de sua satisfação. Dotado de autoconsciência e de razão, o homem mostra-se consciente de ser ele um ente separado da natureza e dos outrosmostra-se consciente do seu desamparo, de sua ignorância, mostra-se consciente de seu fim: a morte.

autoconsciência, a razão e a imaginação conturbam a harmonia que caracteriza a existência animal. Sua emergência colocou o homem em estado anomalia, a aberração do universo. É parte da natureza, sujeito às suas leis físicas e incapaz de transformá-las, não obstante, transcende a natureza. É uma parte posta de lado, e mesmo assim uma parte, não tem morada, ainda assim acha-se ligado ao lar que compartilha com todas as criaturas. Atirado a este mundo em um lugar e período acidentais, vê-se forçado a sair dele, acidentalmente, e contra sua vontade. Consciente de si mesmo percebe sua desvalia e as limitações de sua existência. Nunca se vê livre da dicotomia de sua existência: não pode livrar-se de sua mente, ainda que o quisesse; não pode livrar-se do seu corpo, enquanto viver- e seu corpo faz com que sinta vontade de permanecer vivo.

A vida do homem não pode ser vivida repetindo-se o padrão de sua espécie, ele precisa viver. O homem é o único animal que não se sente à vontade na natureza, que pode sentir-se expulso do paraíso, o único animal para quem sua própria existência constitui um problema que tem de ser resolvido e do qual não pode evadir-se. Não pode voltar ao estado pré-humano de harmonia com a natureza, e não sabe aonde irá chegar, se continuar avançando. A contradição existencial do homem resulta num estado de constante desequilíbrio que o distingue do animal, o qual vive, por assim dizer, em harmonia com a natureza. Isto não quer dizer, que o animal viva necessariamente uma vida pacifica e tranquila, mas que tem seu nicho ecológico especifico, a que suas características físicas e mentais adaptaram-se pelo processo da evolução. O desequilíbrio existencial do homem – por isso mesmo, um desequilíbrio inevitável – pode ser relativamente estável quando tenha encontrado, com o apoio de sua cultura, uma maneira mais ou menos adequada de enfrentar seus problemas existenciais. Mas essa estabilidade relativa não implica que a dicotomia haja desaparecido, ela acha-se meramente adormecida e torna-se manifesta tão logo as condições de sua estabilidade relativa se alterem.

Na verdade, no processo da autocriação do homem, essa estabilidade relativa é conturbada amiúde. O homem, ao longo da sua historia, altera seu meio-ambiente, e, assim procedendo, altera-se a si mesmo. Seus conhecimentos ampliam-se, mas assim também ocorre com a consciência da sua ignorância; experimenta-se a si mesmo como individuo, e não apenas como membro de uma tribo e, dessa forma, o seu sentimento de marginalidade e de isolamento aumenta. Cria maiores em ais eficientes unidade sociais, guiados por lideres poderosos, e torna-se amedrontado e submisso. Atinge  certa conquista de liberdade – e torna-se medroso dessa mesma liberdade aumentada, mas, nesse processo, torna-se voraz e egoísta, escravo das coisas que criou.

Cada novo estado de desequilíbrio força o homem a procurar um equilíbrio novo. O que tem sido considerado como impulsão de progresso inata no homem é a sua tentativa de encontrar um novo equilíbrio e, se possível, melhor. Essas realizações no fluxo da historia pode levá-lo também a desenvolvimentos regressivos. Muitas vezes, quando forçado a encontrar uma nova solução, o homem avança rumo a uma situação de impasse, de que tem de livrar-se, e é, na verdade, notável que até o momento, na historia, ele tenha conseguido fazê-lo.

Essas considerações insinuam uma hipótese quanto a definir-se a essência ou a natureza do homem. Penso que a natureza do homem não pode ser definida em termos de uma qualidade especifica como o amor o ódio, a razão, o bem ou o mal, mas apenas em termos de contradições fundamentais que caracterizam a existência humana e que tem suas raízes na dicotomia biológica entre os instintos ausentes e a autoconsciência. O conflito existencial do homem acarreta determinadas necessidades psíquicas comuns a todos os homens. Vê-se forçado a superar o horror da singularização, da desvalia e da situação de desgarrado em que se encontra, e buscar novas formas de relacionar-se a si mesmo com o mundo a fim de que esteja habilitado a sentir-se em sua casa. Chamo a essas necessidades psíquicas de existenciais, porquanto estão arraigadas nas próprias condições da existência humanaSão compartilhadas por todos os homens e a sua satisfação é tão necessária ao homem para que se mantenha em estado de sanidade como a satisfação DE IMPULSOES ORGANICAS o é para que se mantenha capacitado a viver. Mas cada uma dessas necessidades pode ser satisfeita de diferentes maneiras de satisfazer as exigências existenciais, tem a necessidade de se manifestar nas paixões como o amor, a ternura, a luta pela justiça, pela independência, pela verdade, o ódio, o sadismo, o masoquismo, a destrutividade, o narcisismo. Chamo-lhes paixões arraigadas no âmbito do caráter – ou simplesmente paixões humanas = porque acham-se integradas no caráter do homem.

O caráter é o sistema relativamente permanente de todas as forças não –instintivas através do qual o homem vincula-se ao mundo humano e a natural. Pode-se compreender o caráter como o substituto humano para os instintos animais ausentes. É a segunda natureza do homem. O que todos os homens têm em comum são as impulsões orgânicas e suas necessidades existenciais. O que não tem em comum são as espécies de paixões dominantes em seu respectivo caráter – paixões que se acham enraizadas no âmbito do caráter. A diferença de caráter é amplamente devida á diferença registradas nas condições sociais (embora as disposições geneticamente dadas influenciem também a formação do caráter) por essa razão, as paixões enraizadas no âmbito do caráter podem ser chamadas de uma categoria histórica, enquanto que os instintos serão uma categoria natural , Não obstante, as primeiras não são uma categoria histórica pura, porquanto a influencia social só pode atuar através das  condições biologicamente determinadas pela existência humana.

As necessidades existenciais do homem e as várias paixões vinculadas ao caráter

Um quadro de orientação e devoção

A capacidade que tem o homem de autoconsciência, de razão e de imaginação – novas qualidades que vão além da capacidade para o pensamento instrumental ou dos animais mais inteligentes – exige uma visão do mundo e de sua posição que seja estruturada e que  tenha coesão interna. O homem necessita de um mapa de seu mundo natural e social, sem o qual ficaria confuso e incapaz de atuar com sentido e consistentemente. Não teria outro meio de se orientar e de encontrar para si mesmo, um ponto fixo que lhe permitisse organizar, para si mesmo, um ponto fixo que lhe permitisse organizar todas as impressões que atuam sobre ele. Se acreditar em bruxaria e mágica como explicações finais para todos os acontecimentos, ou no espírito de seus ancestrais como guias de sua vida e de seu destino, ou ainda num deus onipotente que o recompensara ou pune, ou no poder da ciência para dar resposta a todos os problemas humanos – do ponto de vista da necessidade de um quando de orientação, isso não faz diferença alguma. Seu mundo tem sentido para ele, e ele sente-se seguro quanto a suas idéias através do consenso dos que o cercam. Ainda que o mapa esteja errado, preenche uma função psicológica. Mas o mapa nunca esteve inteiramente errado – nem inteiramente certo, tampouco. Uma aproximação tem sido sempre bastante para a explicação dos fenômenos que sevem à finalidade de viver. Somente ate o ponto em que a pratica da vida se vê livre de suas contradições e sua irracionalidade é que a visão teórica pode corresponder á verdade.

O fato impressionante é que não encontramos cultura alguma em que não exista um quadro de orientação como esse. Ou qualquer indivíduo. Frequentemente, o individuo pode negar que tenha uma tal visão generalizada e acreditar que reaja aos vários fenômenos e incidentes da vida, caso por caso, segundo a orientação que lhe dá a sua capacidade de julgar. Mas pode-se demonstrar facilmente que esse individuo toma a sua filosofia como ponto pacifico, porquanto ela é, para ele, apenas uma expressão do senso comum e ele não percebe que todos os seus conceitos apoiam-se num quadro de referencia aceito comumente. Quando uma pessoa assim se vê diante de uma visão fundamentalmente diversa, julga isso louco, ou irracional ou infantil, considerando-se a si mesma como sendo apenas lógica. A necessidade da elaboração de um quadro de referência é particularmente clara no caso das crianças. Mostram elas, numa determinada idade, uma profunda necessidade de um quadro de orientação e amiúde o elaboram elas mesmas, de uma forma engenhosa, utilizando-se dos poucos dados de que dispõem.

A intensidade da necessidade de um quadro de orientação explica um fato que tem intrigado muitos estudiosos do homem, a saber a facilidade com que as pessoas caem sob o dominação de doutrinas irracionais. Políticas ou religiosas ou de outra natureza qualquer, quando, para quem não esta sob essa influencia parece obvio que são elas construções sem qualquer valor. Para da resposta está na influência sugestiva dos lideres e na sugestionabilidade do homem. Mas isso parece que não é a verdade da historia. O homem provavelmente não seria tão sugestionável se não fosse pelo fato de que a necessidade que tem de um quadro de orientação não se mostrasse tão vital. Quanto mais uma ideologia pretenda dar respostas a todas as questões, tanto mais atrativa ela é, aqui pode estar a razão por que sistemas de pensamento irracionais ou ate mesmo insanos possam atrair tão facilmente os homens.

Mas um mapa não é suficiente como guia para a ação, o homem precisa também de um objetivo que lhe diva para onde caminhar. O animal não tem problemas dessa espécie. Seus instintos oferecem-lhe um mapa ASSIM COMO OS OBJETIVOS. Mas o homem, carente da determinação  instintiva e dono de uma mente que lhe permite pensar em varias direções a que pudesse aceder, precisa de um objeto de devoção total, precisa de um objeto de devoção para que seja o ponto focal de todas as suas lidas e disputas e a base de todos os seus valores efetivos – não apenas dos proclamados. Precisa de um objeto de devoção desse tipo por um sem-número de razoes. O objeto integra suas energias numa direção única. Eleva-se acima e além de suas existência isolada, com todas as suas duvidas e insegurança, e dá sentido á vida. Ao devotar-se a um objetivo que esteja além de seu ego isolado, transcende-se a si mesmo e deixa a prisão da egocentricidade absoluta.

Os objetos de devoção do homem variam. Ele pode devotar-se a um ídolo que lhe exija que mate seus filhos ou a um ideal que o faça protegê-los, pode devotar-se ao crescimento da vida ou à sua destruição. Pode devotar-se ao objetivo de juntar uma grande o fortuna, de adquirir poder, de destruição ou de ideal de amara e de ser produtivo e corajoso .Pode devotar-se às mais diversas finalidades e ídolos, embora a diferença nos objetos de devoção seja de imensa importância, a necessidade de devoção, em si mesma, é uma necessidade primaria, existencial, que pode satisfação ,independentemente e como seja satisfeita tal necessidade.

Obs. O termo transcendência – é tradicionalmente utilizado num contexto de referencia teológica. O pensamento cristão admite como certo que a transcendência


Enraizamento


Livro: Revolução da Esperança

Pag.20

Na busca da verdade cientifica, o homem encontrou conhecimento que poderia usar para dominar a natureza. Ele teve espantosos êxitos. Mas, na ênfase unilateral dada à técnica e ao consumo material, o homem perdeu o contato consigo mesmo, com a vida. Tendo perdido a ré religiosa e os valores humanistas a ela ligados, ele se concentrou nos valores técnicos e materiais e perdeu a capacidade para experiências emocionais profundas, para a alegria e a tristeza que os acompanha, A máquina que construiu tornou-se tão poderosa que desenvolveu seus próprios programas e agora determina o próprio pensamento do homem.

O que a Esperança Não É – pg. 24,25

O que é ter esperança?
Não é desejos e anseios. Quem tem mais desejos e anseios são pessoas que cobiçam mais consumo e não pessoas esperançosas. Esperança é uma vida mais plena, um estado de maior vivencia, uma libertação do enfado eterno, ou, para usar um termo teológico, a salvação, ou, um termo político, a revolução? Na verdade, esse tipo de expectativa poderia ser esperança, mas é não-esperança se tem a quantidade de passividade e de espera – até que a esperança se torne, de fato, um disfarce para a resignação, uma simples ideologia.

Kakfa descreveu de um modo belo esse tipo de esperança resignada e passiva numa estória em O processo.

Se tivesse tido mais do que essa esperança passiva, ele teria entrado, e sua coragem para ignorar os burocratas teria sido o ato libertador que teria levado ao brilhante palácio. Muitos são como o velho Kafka. Eles esperam, mas não lhes cabe agir segundo  o impulso do coração e, enquanto os burocratas não lhes dão o sinal verde, eles prosseguem esperando.

A esperança descrita como esperança pelo tempo. O tempo e o futuro passam a ser a categoria central desse tipo de esperança. Não se espera que algo aconteça no agora, mas somente no próximo momento, no dia seguinte, no próximo ano ou quem sabe em outro mundo. Atrás dessa crença está a idolatria do Futuro, da Historia e da Posteridade, que começou com a Revolução Francesa com homens como Robespierre, que adorava o futuro como a uma deusa. Não faço nada, permaneço passivo porque nada sou, e sou impotente; mas o futuro, a projeção do tempo, levará a cabo o que não posso realizar. Esse culto do futuro é precisamente a alienação da esperança. Em vez de algo que faço ou no qual me torno, os ídolos, o futuro e a posteridade realizam alguma coisa sem que eu nada faça

Embora a espera passiva seja uma forma disfarçada de desesperança e impotência, existe outra forma de desesperança e desespero que assume o disfarce exatamente oposto – o disfarce da criação de frases e o do aventurismo, da desconsideração pela realidade e do forçar o que não pó ser forçado. Esta foi a atitude do falso Messias, que tinham desprezo pelos que, em todas as circunstancias, não preferiam a morte à derrota.. Eles deixam de ser convincentes pela sua falta de realismo, senso de estratégia e, em alguns, pela falta de amor pela vida

Natureza da Esperança – pg.27,28,29,30,32
A esperança é paradoxal. Não é nem uma espera passiva nem um forçar irreal de circunstancias que não podem ocorrer. É como o tigre agachado que só saltará quando chegar o momento de saltar. Tampouco o reformismo cansado e o aventurismo pseudo-radical são uma expressão da esperança. Ter esperança significa estar ponto a todo momento para aquilo que ainda não nasceu e todavia não se desesperar se não ocorrer nascimento algum durante nossa existência.. Não faz sentido esperar pelo que já existe ou pelo que não pode ser. Aqueles cuja esperança é fraca decidem pelo conforto ou pela violência; àqueles cuja esperança é forte vêem e apreciam todos os sinais da nova vida e estão prontos a todo instante para ajudar no nascimento daquilo que está pronto para nascer.

Distinguir entre esperança consciente e inconsciente.

O importante no exame da esperança e da desesperança não é basicamente o que as pessoas pensam sobre seus sentimentos, mas o que elas realmente sentem.. Isso pode ser revelado pelas expressões faciais, maneira de andar, capacidade de reagir com interesse e algo diante dos seus olhos, e pela sua falta de fanatismo, que é mostrada em sua capacidade de atender a argumentos racionais.

Do ponto de vista dinâmico, não estamos interessados basicamente em saber o que uma pessoa pensa ou diz, ou como ela se comporta agora. Estamos interessados na estrutura do seu caráter – isto é, na estrutura semipermanente das suas energias, nas direções em que estas são canalizadas e na intensidade com que elas fluem. Se conhecemos as forças impulsionadoras que motivam o comportamento, não só compreendemos o comportamento atual como também podemos fazer suposições razoáveis me circunstâncias modificadas. Na perspectiva dinâmica, mudanças surpreendentes no pensamento ou no comportamento de uma pessoa são mudanças que, na maioria, poderiam ter sido previstas dado o conhecimento da estrutura do seu caráter.

Como acontece com todas as outras experiências humanas as palavras não bastam para descrever a experiência. Contudo, tomando essas restrições em consideração, não PE impossível referir-se a experiências de sentimentos em palavras que não são as da poesia. Isso não seria possível se as pessoas não partilhassem a experiência sobre o que se fala, pelo menos em certo grau.. Descrever isso significa mostrar os vários aspectos da experiência e, assim, estabelecer uma comunicação na qual o autor e o leitor sabem que ambos se estão referindo à mesma coisa. Ao fazer essa tentativa, devo pedir ao leitor que trabalhe comigo e não espe5re que eu lhe dê uma resposta à pergunta o que é a esperança. Devo pedir-lhe que mobilize suas próprias experiências a fim de possibilitar o nosso dialogo.

Ter esperança é um estado de ser. É uma disposição interior, aquela atividade intensa, mas ainda não gasta. O conceito de atividade se baseia numa das mais divulgadas ilusões do homem na sociedade industrial.. Está centrada na atividade no sentido de estar ocupado, e estar ocupado no sentido de ocupação necessária aos negócios.. Com efeito, a maioria das pessoas é ativa que não suporta não fazer nada. O temido é o momento em que você realmente não tem nada para fazer. Elas precisam constantemente do estimulo exterior, seja a conversa com outra pessoa, o cinema. Elas precisam ser incitadas, ser ligadas, tentadas, seduzidas. Elas precisam ser incitadas, ser ligadas, tentadas seduzidas. Elas sempre correm, não param nunca. Caem por, nunca se levantem. E sempre se imagina. Imensamente ativas, embora sejam impulsionadas pela obsessão de fazer algo a fim de fugir à ansiedade despertada quando elas são confrontas das consigo mesmas.

Fé - pg. 31,32
Quando a esperança desaparece, a vida termina, na realidade ou potencialmente. A esperança é um elemento intrínseco da estrutura da vida, da dinâmica do espírito do homem.. A fé não é uma forma fraca de crença ou conhecimento; não a fé nisto u naquilo; a fé é a convicção sobre o que ainda não foi provado, o conhecimento da possibilidade real, a consciência da gravidez. A fé é racional quando se refere ao conhecimento do real que ainda não nasceu; ela é baseada na capacidade de conhecimento e compreensão, que penetra a superfície e vê o âmago. A fé, como a esperança, não pé a previsão do futuro; é a visão do presente num estado de gravidez. A afirmação de que a fé é certeza necessita de uma restrição. É certeza sobre a realidade da possibilidade – mas não é certeza no sentido da previsão indiscutível. A criança pode morrer no parto, pode morrer nas duas semanas de vida. Este é o paradoxo da fé: é a certeza do incerto.[1]É certeza em termos da visão e compreensão do homem; não é certeza em termos do resultado final da realidade. Não precisamos de ter fé naquilo que é cientificamente previsível, nem tampouco pode haver no que é impossível. A fé é baseada em nossa experiência de vida, de nos transformarmos. A fé que outros podem mudar PE o resultado da experiência de que posso mudar.

Distinção entre a fé racional e irracional. A fé racional é o resultado da atividade interior da pessoa, em pensamento ou sentimento, a fé irracional é submissão a determinada coisa que se aceita como verdadeira, independentemente de sê-lo ou não. O elemento essencial em toda fé irracional é seu caráter passivo. Até mesmo o cientista precisa estar livre da fé irracional nas idéias tradicionais a fim de ter fé racional no poder do seu pensamento criador. Uma vez provada a sua descoberta, ele não precisa mais de fé, exceto na próxima etapa que ele estuda. Na esfera das relações humanas, ter fé em outra pessoa significa estar certo das suas atitudes fundamentais. No mesmo sentido, podemos ter fé em nós mesmos – não na constância das nossas opiniões = mas na nossa orientação básica com relação à vida, na matriz da estrutura do nosso caráter. Essa fé é condicionada pela experiência do eu, pela nossa capacidade dizer eu legitimamente, pelo sentido da nossa identidade.

A esperança é o estado de espírito que acompanha a fé. A fé não poderia ser sustentada sem o estado de espírito da esperança. A esperança não pode basear-se senão na fé


A Firmeza – pg.32,3334
Na estrutura da vida existe outro elemento ligado à esperança e à fé: a coragem ou, firmeza (Spinoza). A firmeza é a capacidade de resistir à tentação de se comprometer a esperança e a fé, transformando-as – e assim destruindo-as – em otimismo vazio ou em fé irracional. A firmeza é a capacidade dizer não quando o mundo quer ouvir sim.

A firmeza tem outro aspecto o destemor. As pessoas destemida não temem ameaças, nem mesmo a morte. Destemor abrange varias atitudes inteiramente diferentes. Menciono as três mais importantes:

1)        Uma pessoa pode ser destemida porque não se importa de viver, para ela a vida não vale muito, tem medo de viver. Ela procura situações perigosas a fim de evitar seu medo da vida, de si própria e dos outros.

2)      Destemor é o da pessoa que vive em submissão simbiótica a um ídolo, seja ele uma pessoa, uma instituição ou uma idéia; as ordens do ídolo são sagradas; até mesmo são muito mais obrigatórias do que os comandos de sobrevivência do sue corpo. Se pudesse desobedecer ou duvidar desses comandos do ídolo, ela enfrentaria o perigo de perder sua identidade com o ídolo; isso significa que ela estaria correndo o risco de se encontrar totalmente isolada e, assim, à beira da loucura. Ela está disposta a morrer porque teme expor-se a esse perigo.

3)      O terceiro tipo de destemor é encontrado na pessoa plenamente desenvolvida, que se apóia dentro de si própria e ama a vida. A pessoa que superou a cobiça não se prende a nenhum ídolo ou a qualquer coisa e não tem nada a perder: ela PE rica porque está vazia, é forte porque não é escrava dos seus desejos. Pode abandonar os ídolos, os desejos irracionais e as fantasias porque está em pleno contato com a realidade dentro e fora de si mesma.

Se essa pessoa atingiu o esclarecimento total, ela é completamente destemida. Se ela se moveu para essa meta sem tê-la atingido, seu destemor também não será completo. Mas qualquer um que tente dirigir-se para o estado de ser plenamente ele próprio sabe que, sempre que se dá mais um passo rumo ao destemor, há o despertar de um sentimento de força e alegria inconfundíveis. Ele sente como se uma nova fase da vida tivesse começado; pode sentir a verdade dos versos de Goethe: Coloque minha casa sobre o nada, é por isso que o mundo inteiro é meu.

Sendo qualidades essenciais da vida, a esperança e a fé estão pela própria natureza, movendo-se rumo à transcendência do status quo, individual e socialmente. É uma das qualidades de toda a vida que está num constante processo de mudança e jamais permanece a mesma em qualquer momento determinado.

A vida que estagna tende a morrer; se a estagnação é completa, a morte ocorreu. Segue-se que a vida, em suas qualidades moveis, tende a romper e vencer o status quo. Ficamos mais fortes ou mais fracos, mais sábios ou mais tolos, mais corajosos ou mais covardes. Cada segundo é um momento de descrição, para melhor ou para pior. Alimentamos nossa indolência, cobiça ou ócio, ou deixamo-lo à míngua. Quanto mais o alimentamos, tanto mais forte ele cresce; quanto mais o deixamos à míngua, tanto mais fraco ele se torna.

Se não cresce declina; se não transcende o status quo para melhor, muda para pior. Desde o momento em que ficarmos parados, começamos a declinar.

Ressurreição –pg.34,35
A transformação dessa realidade rumo à maior vivência. O homem e a sociedade são ressuscitados a cada momento no ato de esperança e de fé no momento presente; todo ato de amor, de estado de ser cônscio, de compaixão e ressurreição; todo ato de preguiça, de cobiça, de egoísmo, é morte. Cada momento de existência nos põe em confronto com alternativas de ressurreição ou morte; a cada momento damos uma resposta. Essas respostas estão não no que dizemos ou pensamos, mas no que somos, na maneira como agimos, para onde nos estamos dirigindo.


A destruição da Esperança - pg.37,38,39,40
Se a esperança, a fé e a firmeza são acompanhamentos da vida, como é que tantos perdem a esperança, a fé e a firmeza e amam sua servidão e dependência? É precisamente a possibilidade dessa perda que é característica da existência humana. A esperança, a FÉ E A FIRMEZA – ELAS SÃO QUALIDADES INCONSCIENTES DE NÃO PENSAMENTO DO ESPERMATOZOIDE E DO OVULO, DA SUA UNIAO, DO CRESCIMENTO DO FETO E DO SEU NASCIMENTO. Mas, quando a vida começa, as vicissitudes do ambiente e dos acidentes principiam a incrementar ou bloquear o potencial da esperança.

Temos esperança de ser amados – não apenas de ser afagados e alimentados, mas de ser compreendidos, cuidados e respeitados. Esperamos ser capazes de confiar. Quando crianças não conhecíamos a invenção da mentira com palavras, , mas também com a voz, gestos, olhos e com a expressão facial. As pessoas muitas vezes não falam com sinceridade ou dizem o oposto do que pretendem dizer


Num determinado ponto da via suas esperanças são desapontas e ás vezes completamente destruídas. Talvez isso seja bom. Se um homem não experimentasse o desapontamento da sua esperança de que maneira poderia esta se tornar forte e inextinguível? De que modo poderia ele evitar o perigo de ser um sonhador Otimista.

Muita gente reage ao desapontamento da sua esperança adaptando-se ao otimismo mediano que espera pelo melhor sem se preocupar em reconhecer que nem mesmo o bom, mas talvez, na verdade, o pior, pode ocorrer. Enquanto todo mundo assovia essas pessoas também assobiam, e, em lugar de sentirem sua desesperança, delas parecem participar de uma espécie de concerto pop. Elas reduzem suas exigências ao que podem obter e nem mesmo sonham com o que parece estar fora do seu alcance. São membros bem adaptados da manada e jamais SE SENTEM DESANIMADOS. Elas oferecem o quadro de otimismo resignado - sendo o otimismo consciente e a resignação inconsciente.

Outro resultado da destruição da esperança é o endurecimento do coração. Vemos adultos calejados, que, num ponto da sua vida, talvez aos 5 anos não pode mais ser magoada. Algumas dessas pessoas decidem que ninguém será capaz de magoá-los, mas que serão capazes de magoar outros. Podem queixar-se do seu azar em não encontrar qualquer amigo ou ninguém que as ame, mas não é azar delas, é destino. Tendo perdido a compaixão e a empatia, elas não tocam em alguém., nem podem ser tocadas. São intocáveis. Não tão raramente, ocorre um milagre e começa o degelo. Pode ser simplesmente o encontro com uma pessoa ou cuja preocupação ou o interesse elas crêem, e abrem-se novas dimensões de sentimento

Outro resultado é a destrutibilidade e a violência. Os homens não podem viver sem esperança, aquele cuja esperança foi totalmente destruída odeia a vida. Como ele não pode criar vida, quer destruí-la, o que é apenas pouco menos do que um milagre, mas de realização muito mais fácil. Ele quer vingar-se pela sua vida nã0-vivida e o faz lançando –se à destrutibilidade total de modo que pouco se lhe dá se ele destrói outros ou é destruído.

Tem gente que não tem esperança porque não tem nem mesmo visão da esperança, são menos violentos do que os que vêem a possibilidade de esperança reconhecendo que as circunstancias impossibilitam a realização da suas esperanças. A destrutibilidade é a alternativa da esperança, assim como a atração pela morte é a alternativa do amor pela vida, e assim como a alegria e a alternativa para o tédio.

O desenvolvimento da esperança ou da desesperança é grandemente determinado pela presença da esperança ou do desespero na sua sociedade. Por mais que a esperança de uma pessoa possa ter sido destruída na infância, se ela vive num período de esperança e fé, sua própria esperança será acesa; por outro lado, a pessoa cuja experiência a leva a ser esperançosa, muitas vezes tenderá a ser deprimida e desanimada quando sua sociedade perdeu o espírito de esperança.


 Síndrome da alienação –pg.55

Sendo passivo, ele não se relaciona ativamente com o mundo e é forçado a submeter-se aos seus ídolos e ás suas exigências. Por conseguinte, sente-se indefeso, solitário e ansioso. Tem pouco senso de integridade ou de identidade própria. A submissão parece ser a única maneira de evitar a ansiedade intolerável, e mesmo a submissão nem sempre alivia a sua ansiedade.

À parte os traços patológicos arraigados na passividade, existem outros que são importantes para a compreensão da patologia da normalidade atual. Refiro-me à cisão cada vez maior entre a função celebral-intelectual e a experiência afetivo-emocional; e cisão entre o pensamento e o sentimento, entre a mente e o coração, entre a verdade e a paixão.

O pensamento lógico não é racional se for meramente lógico[1] se não for orientado pelo interesse pela vida e pela investigação do processo total da vida em toda a sua solidez e com todas as suas contradições. Por outro lado, não só o pensamento como também as emoções podem ser racionais.

A racionalidade na vida emocional significa que as emoções afirmam e ajudam a estrutura psíquica da pessoa a manter um equilíbrio harmonioso e ao mesmo tempo auxilia o seu crescimento. O amor irracional é amor que acentua a dependência da pessoa e, por conseguinte, a ansiedade e a hostilidade. O amor racional é um amor que relaciona intimamente uma pessoa com outra, porém conserva sua independência e integridade.

A razão surge da fusão do pensamento racional com o sentimento. Se as duas funções são separadas com força, o pensamento se deteriora em atividade intelectual esquizóide e o sentimento se deteriora em paixões neuróticas que danificam a vida.

A cisão entre o pensamento e o afeto conduz a uma doença, a uma esquizofrenia crônica de baixo grau.

Essa atração pelo não-vivo é uma atração pela morte e pela corrupção (necrofilia), conduz à indiferença pela vida, em vez de à “reverencia pela vida”. Os que são atraídos pelo não-vivo são as pessoas que preferem a “lei e a ordem”, em lugar da estrutura viva, os métodos burocráticos em vez dos espontâneos, os aparelhos em vez de seres humanos, a repetição em lugar da originalidade, a arrumação em lugar da exuberância, o entesouramento ao gasto. Eles querem controlar a vida porque temem sua espontaneidade incontrolável; preferiam matá-la a se exporem a ela e serem absorvidos pelo mundo que os rodeia. Sua coragem é a coragem de morrer. Homens que agem como robôs. O computador pode servir à intensificação da vida, mas a idéia de que ele substitui o homem e a vida é a manifestação da patologia de hoje. Os sentimentos do homem seriam determinados pelos seus instintos, sua razão, pelo computador, o homem não teria de responder às perguntas que sua existência lhe formula. Esta realização é impossível.

O desaparecimento do isolamento e do contato humano pessoal.

O isolamento é baseado na tendência para o entesouramento, no qual minha vida privada era minha e de mais ninguém. Era também uma hipocrisia, da discrepância entre as aparências morais e a realidade. Feitas essas restrições, o isolamento ainda parece ser uma condição importante para o desenvolvimento produtivo de uma pessoal. È necessário para que uma pessoa fuja do barulho e da intrusão de outros, que interferem nos processos mentais da pessoal. Se todos os dados privados forem transformados em dados públicos, as experiências tenderão a se tornar mais superficiais e semelhantes. As pessoas terão medo de sentir a coisa errada; tornar-se-ão mais acessíveis à manipulação psicológica que  tenta estabelecer normas para as atitudes desejáveis, normais e saudáveis. Pode levar a um controle do individuo. Testes psicológicos das empresas visam ser uteis para a empresa e não para o bem estar do homem.

Necessidade de certeza
O homem não está equipado com um conjunto de instintos que regulem seu comportamento semi-automaticamente. Ele é confrontado com escolhas e, isso representa riscos graves para a sua vida, se suas escolhas forma erradas. As dúvidas que o assaltam quando deve decidir, provocam tensão dolorosa. Ele quer crer que não há necessidade de duvidar que o método pelo qual ele toma suas decisões é certo. O homem perdeu a coragem de pensar sozinho e de tomar decisões baseadas em seu total compromisso intelectual e emocional para com a vida. Ele queria trocar a certeza incerta que o pensamento racional pode dar por uma certeza absoluta: a suposta certeza científica, baseada na previsibilidade.

Tanto a decisão religiosa, que é uma rendição cega à vontade de Deus, quanto a decisão do computador, baseada na fé, na lógica dos fatos, são formas de decisões alienadas nas quais o homem entrega seu próprio discernimento, investigação e responsabilidade a um ídolo, seja ele Deus ou computador. A religião humanista dos profetas desconhecia essa rendição: a decisão cabia ao homem. Ele tinha de compreender a sua situação, ver as alternativas e então decidir. A verdadeira racionalidade científica não é diferente. O computador pode ajudar o homem a visualizar varias possibilidades, mas a decisão não é tomada para ele, não só no sentido de que ele pode escolher entre vários modelos, como também no sentido de que deve usar sua razão, relacionar e responder à realidade com a qual está lidando e extrair do computador os fatos importantes, do ponto de vista da razão, e os meios importantes, do ponto de vista da conservação e realização da vivência do homem. Ele pode cair de qualquer lugar, pode não atingir a meta aspirada e se tornar um fraco aos olhos da sua família e amigos, mas se segui um ídolo, o computador não precisa culpar-se, a culpa não é dele é do ídolo. Mas a despeito da certeza continuará ansioso. A mesma necessidade de estar certo existe no setor do pensamento, do sentimento e da apreciação estética. O individuo aprende quais os pensamentos certos, qual o comportamento correto, que sentimento é normal, que gosto está na moda. Tudo o que ele tem a fazer é ser receptivo aos sinais da comunicação das massas, e pode ter certeza de que não cometerá engano.

Fatos são interpretações de acontecimentos, e a interpretação pressupõe certas preocupações que constituem a importância do acontecimento. A questão crucial é estar ciente de qual seja a minha preocupação e, por conseguinte do que os fatos devem ser a fim de serem importantes. Sou eu o amigo do homem, ou um detetive, ou simplesmente um homem que quer ver o homem total em sua humanidade? Teria de conhecer o outro e também conhecer a mim mesmo, meu próprio sistema de valores, o que nele é genuíno e o que é ideologia, meus interesses egoístas ou não. E é por demais sabido que não existe modo mais eficaz de distorção do que apresentar apenas uma serie de fatos.

O fato nada significa sem a avaliação de todo o sistema, que representa uma análise de um processo no qual nós, como observadores, também estamos incluídos. Deve-se afirmar que o próprio fato de se ter decidido escolher certos acontecimentos como fatos nos afeta. Por essa decisão nos comprometemos a ir em determinada direção, e esse compromisso determina nossa subsequente seleção de fatos. A ilusão da certeza da decisão de computador, partilhada por muitas pessoas, apóia-se nas suposições errôneas: a) de que os fatos são dados objetivos b) de que a programação está livre de normas[2].

Todo planejamento, depende das normas e valores nele subentendidos. O próprio planejamento é um dos passos mais progressistas dados pela raça humana. Mas pode ser uma desgraça se for planejamento cego no qual o homem abdica da sua própria decisão, do seu julgamento de valor e da sua responsabilidade. Se for planejamento franco, ativo e compreensivo, no qual todas as finalidades da humanidade estão em plena consciência e orientam o processo de planejamento, ele será uma bênção. O computador facilita tremendamente o planejamento, mas, na realidade, sua utilização não altera o principio fundamental da relação apropriada entre os meios e os fins; somente seu abuso o alterará.

O que é ser humano

Cada homem traz dentro de si toda a humanidade, o santo bem como o criminoso. Goethe, não há crime do qual não se possa imaginar ser o autor. Isso responde a quanto o homem pode ser diferente e, ainda assim ser humano. Devemos estar preparados para descobrir  diferentes possibilidades humanas, mas em termos das próprias condições da existência humana da qual todas essas possibilidades surgem como possíveis alternativas. Essas condições podem ser reconhecidas como resultado não de especulação metafísica, mas da verificação dos dados da Antropologia, historia, psicologia infantil e psicopatologia individual e social

As condições da Existência Humana

Carecendo do equipamento instintivo do animal, o homem não está vem equipado, como os animais, para a fuga ou para o atraque. Ele não sabe infalivelmente como o salmão sabe onde retornar ao rio para desovar sua cria, e como muitas aves sabem para que pare do sul ir no inverno e para onde voltar no verão. Suas decisões não são tomadas para ele pelo instinto. Ele Tem de tomá-las. Ele enfrenta alternativas, havendo um perigo de fracasso em toda decisão que toma. \O preço que o homem paga pela consciência é a insegurança. Ele pode enfrentar sua insegurança estando cônscio e aceitando a condição humana, e com esperança de que não fracassará mesmo que não tenha garantia de êxito. Ele não tem certeza; a única previsão certa que pode fazer é: morrerei.

O homem nasceu como uma excentricidade da natureza, estando dentro dela embora a transcenda. Ele tem de encontrar princípios de ação e de tomada de decisões que substituem os princípios do instinto; tem de encontrar uma estrutura de orientação que lhe permita organizar uma imagem coerente do mundo como condição para ações coerentes; tem de combater não só os perigos da morte, da Fome e de ferimentos, mas também outro perigo que é especificamente humano: o de enlouquecer,. Em outras palavras ele tem de se proteger não só contra o perigo de perecer sua vida como também do perigo de perder seu juízo. O ser humano, nascido nas condições aqui descritas, realmente enlouqueceria se não tivesse um sistema de referencia que lhe permitisse, de alguma forma sentir à vontade ao mundo e de fugir à experiência do desamparo, da desorientação e do desarraigamento totais. Há muitas maneiras pelas quais o homem pode encontrar uma solução para a tarefa de manter-se vivo e de continuar em seu juízo perfeito. Algumas são melhores do que outras, e algumas são piores. Por melhores referimo-nos a um modo que conduz a maior força, clareza, alegria e independência; e por pior ao que leva exatamente ao oposto. Porém, mais importante do que encontrar uma solução melhor é encontrar alguma solução que seja viável.

Os pensamentos acima levantam o problema da maleabilidade do homem. Alguns antropólogos acreditam que o homem seja maleável. À primeira vista, parece ser assim.. Da mesma forma que pode comer carne, ou legumes ou das duas coisas, ele pode ser escravo ou livre, viver na escassez ou na abundancia, numa sociedade que aprecie o amor e numa que aprecia a destruição. Na verdade, o homem pode fazer praticamente tudo ou, talvez melhor, a ordem social pode fazer quase tudo ao homem. O quase é importante. Mesmos que a ordem social possa fazer tudo ao homem fazê-lo passar fome, torturá-lo, aprisioná-lo ou superalimentá-lo – isso não pode ser feito sem certas consequências oriundas das próprias condições da existência humana. O homem, se for totalmente privado de todos os estímulos e prazeres , será incapaz de desempenhar a tarefa, certamente tarefa especializada. Se não for assim  totalmente desamparado, ele se rebelará se tentarmos escravizá-lo; TENDERA A SER VIOLENTO SE A VIDA FOR DEMASIADO ENFADONHA; TENDERA A PERDER TODA A SUA CAPACIDADE CRIADORA SE O TRANSORMARMOS NUMA MAQUINA. Nesse aspecto, o homem não difere dos animais ou da matéria inanimada. Podemos colocar certos animais num jardim zoológico, mas eles não reproduzirão e outros se tornarão violentos, embora não o sejam quando em liberdade. Podemos aquecer a água acima de certa temperatura e ela se transformará em vapor; ou resfriá-la abaixo de certa temperatura e ela se solidificará. Mas não se pode fazer vapor reduzindo a sua temperatura. A histo5ia do homem most5ra o que se pode fazer ao homem, e, ao mesmo tempo, o que não se pode fazer5. Se o homem fosse infinitamente maleável não teria havido revolução alguma; não teria havido mudança  porque uma cultura teria conseguido fazer o homem submeter-se aos seus padrões sem que ele repetisse. Mas o homem sendo relativamente maleável, sempre reage com protestos contra condições que tornam demasiado drástico ou insuportável o desequilíbrio entre a ordem social e suas necessidades humanas. A  tentativa para reduzir esse desequilíbrio e a necessidade de estabelecer uma solução mais aceitável e conveniente estão no cerne do homem surgiu não apenas devido ao sofrimento material; necessidades especificamente humanas, a serem estudadas mais adiante, são motivação igualmente forte para a revolução e para a dinâmica da mudança.

Necessidade de Sistemas de Orientação e Devoção - Pg.77,78,79,80,81,82

Existem várias respostas possíveis para a pergunta formulada pela exigência humana. Elas centralizam-se em torno de dois problemas: um, a necessidade de um sistema de orientação; outro, a necessidade de um sistema de devoção.

Quais são as respostas para a necessidade de um sistema de orientação? Uma resposta é submeter-se a um líder forte que admite reconhecer o que é melhor para o grupo, que planeja e dá ordens e que promete a todos que, seguindo-o, ele age no melhor interesse de todos. Admite-se  que ele seja onipotente, onisciente e sagrado, que Le  próprio, o líder, seja um deus, ou o sumo sacerdote de um deus, conhecedor de todos os segredos do cosmo. Em seu desejo de segurança, os homens apreciam sua própria dependência, especialmente se esta lhes é facilitada pelo conforto relativo da vida material e por ideologias que dão o nome de educação à lavagem celebral e de liberdade à submissão.

Porém o homem não está fadado a ser carneiro. Com efeito, visto não ser um animal, o homem tem um interesse em estar ligado à realidade e cônscio dela, em sentir a terra com os pés, como na lenda grega de Anteu; o homem é mais forte quanto mais plenamente ele está em contato com a realidade. Enquanto ele é carneiro mais fraco ele é como homem. Qualquer mudança no padrão social ameaça-o com intensa insegurança e até mesmo com a loucura porque toda a sua relação com a realidade é mediada pela realidade fictícia que lhe é oferecida como real. Quanto mais ele pode compreender sozinho a realidade e não como um dado que a sociedade lhe oferece, tanto mais seguro ele se sente porque depende menos do consenso geral e, é menos ameaçado pela mudança social . O homem tem uma tendência inata para ampliar seu conhecimento da realidade e isso significa aproximar-se da verdade.. Não estamos lidando aqui com um conceito metafísico de verdade, mas com um conceito de aproximação cada vez maior, que representa a diminuição da fixação e da ilusão. Comparada com a importância desse aumento ou redução da compreensão que se tem da realidade, a questão de saber se existe uma verdade ultima sobre qualquer coisa permanece inteiramente abstrata e despropositada. O processo do aumento de percepção nada mais é que o processo do despertar, do abrir os olhos e ver o que está na frente. A percepção significa a eliminação das ilusões e, na medida em que isso é feito, é um processo de libertação.

A percepção da realidade existente e das alternativas para seu aperfeiçoamento ajuda a mudar a realidade, e todo aperfeiçoamento da realidade ajuda o esclarecimento do pensamento.

O homem não só tem uma mente e necessita de um sistema de orientação que lhe permita compreender e estruturar o mundo que o rodeia; ele também tem um coração e um corpo que precisam ser ligados emocionalmente ao mundo – ao homem e á natureza. O homem, isolado pela percepção de si mesmo e pela capacidade de sentir-se seria uma indefesa partícula de pó soprada pelos ventos se não encontrasse laços emocionais que satisfizessem sua necessidade de ser relacionado e unificado com o mundo situado além da sua pessoa. No caso de sua mente, algumas possibilidades são melhores do que outras; mas o que ele mais precisa para conservar seu juízo é de algum laça ao qual se sinta firmemente ligado. A pessoa que não tem esses laços é, por definição, louca, incapaz de qualquer ligação emocional com seu próximo.

A mais fácil forma de ligação do homem são seus laços básicos com sua origem – com o sangue, o solo, com a mãe e o pai ou, numa sociedade mais complexa com sua nação, religião.. Esses laços satisfazem o anseio de um homem que não cresceu a ponto de ser ele próprio, de superar a sensação de isolamento insuportável.. Esses laços básicos que são naturais e necessários para o bem em sua relação com a mãe.

O homem encontra seus laços emocionais ligando-o a uma autoridade superior a quem obedece cegamente. Permanecendo ligado à natureza, à mãe ou ao pai, o homem, na realidade, consegue sentir-se á vontade no mundo, mas paga um preço extraordinário por essa segurança, o da submissão, dependência e de um bloqueio ao desenvolvimento total da sua razão e da sua capacidade de amar. Ele continua sendo criança quando deveria tornar-se adulto.

Os laços primitivos de laços incestuosos com a mãe, solo, raça, de êxtases benignos e malignos, só podem desaparecer se o homem encontrar uma forma superior de se sentir à vontade no mundo, se houver desenvolvimento não só do seu intelecto, mas também da sua capacidade de sentir-se relacionado sem se submeter, à vontade sem ser prisioneiro, intimo sem ser sufocado. A solução para a existência humana não era o retorno à natureza nem na obediência cega à figura paterna, mas numa nova visão de que o homem pode novamente sentir-se à vontade no mundo e vencer sua sensação de apavorante solidão; que ele pode alcançar isso pelo desenvolvimento dos seus poderes humanos, da sua capacidade  de amar, de usar sua razão, de criar e gozar a beleza, de partilhar sua humanidade com seu próximo.

O novo laço


Necessidades de sobrevivência e Transobrevivência - Pg.82,83,84,85,86,87,88

Experiências Humanas  -Pg.88,89,90

Experiências humana  (de sentimentos)

Não cobiça  pg.90,91
A cobiça é uma qualidade comum de desejos pelos quais os homens são impulsionados a atingir determinada meta. No sentimento não-cobiçoso, o homem não é impulsionado, não é passivo, e sim livre e ativo. È desequilíbrio psicológico, especialmente na presença de acentuadas ansiedade, solidão, insegurança, falta de identidade etc., aliviado pela satisfação de certos desejos como os de alimentação e satisfação sexual, fama etc.. è egocêntrica. A pessoa cobiçosa quer algo exclusivamente para si e aquilo pelo qual ela satisfaz seu desejo é apenas um meio para suas próprias finalidades. A outra pessoa se torna objeto.

Não cobiçoso existe pouco egocentrismos. Não se precisa da experiência para conservar a própria vida, acalmar a ansiedade ou satisfazer ou enaltecer o próprio ego; ela não serve para aliviar uma tensão poderosa, mas começa onde termina a necessidade, no sentido de sobrevivência ou de aclamar a ansiedade. No sentido não–cobiçoso, a pessoa pode soltar-se, não se esta apegando compulsivamente ao que tem e o que deseja ter, mas é acessível e compreensiva. O amor cria o desejo. Um homem e uma mulher podem sentir uma profunda sensação de amor um pelo outro, em termos de interesse, conhecimento, intimidade, responsabilidade, que essa profunda experiência humana pode levar ou não ao desejo de união física.

Ternura – pg.92 
Algumas outras experiências humana, sem afirmar que a descrição que se segue seja de modo algum, exaustiva. A ternura, compaixão e empatia, respeito e conhecimento.

Ternura está relacionada com o desejo sexual não-cúpido, mas é diferente dele. É uma experiência sui generis. Sua característica é que ela está livre da cobiça. Na experiência da ternura a pessoa não quer nada da outra. Ela não tem meta ou propósito particular. É mais primorosamente descrita na maneira como uma pessoa pode tocar outra, olhá-la, ou em seu tom de voz. Pode-se dizer que tem raízes na ternura que a mãe sente pelo filho, mesmo assim transcende porque está livre do laço biológico que a liga à criança e do elemento narcisista no amor materno. Ela não só está livre da cupidez como também da pressa e do propósito. Entre todos os sentimentos que o homem criou em si durante sua historia, talvez não haja nenhum que supere a ternura na pura qualidade de ser simplesmente humana.


Compaixão e empatia pg.92,93
Sentimentos relacionados com a ternura, mas que não são inteiramente idênticos a ela.

A essência da compaixão é a de que a pessoa sobre com ou, num sentido mais amplo, sente com outra pessoa. Isso quer dizer que a pessoa não olha para a outra do lado de fora – a pessoa sendo o objeto do meu interesse ou preocupação – mas que se coloca dentro da outra. Isso quer dizer que experimento dentro de mim o que ela sente. Trata-se de uma inter-relaçao que não é do eu para o tu, mas uma que é caracterizada pela frase eu sou tu.

Compaixão e empatia subentende que experimento dentro de mim o que é experimentado pela outra pessoa e consequentemente que, nessa experiência, ela e eu somos um. Todo o conhecimento da outra pessoa só é conhecimento real se for baseado na experiência, em mim, daquilo que ela sente. Se esse não for o caso, e a pessoa continua sendo um objeto, posso saber muito a respeito dela, mas não a conheço (e não colher dados a respeito dela, não resulta de dados fornecidos sobre a historia da vida da pessoa). Goethe O homem só se conhece a si mesmo dentro de si mesmo e está cônscio de si mesmo dentro do mundo. Cada novo objeto verdadeiramente reconhecido abre um novo órgão dentro de nós.

Esse conhecimento se baseia no sentido de que cada pessoa traz dentro de si toda a humanidade, interiormente somos santos e criminosos e, por conseguinte não existe nada no outro que não possa sentir como parte de mim mesmo, experiência exige que nos libertemos da estreiteza.




Experiências humanas (não identificadoras de sentimentos, sendo mais atitudes)
Não expressam inter-relação com outra pessoa, estando mais dentro da pessoa

Conhecer os homens no sentido de conhecimento compassivo e empático exige que nos livremos dos laços tacanhos de determinada sociedade, raça ou cultura, e penetramos até as profundezas daquela realidade humana na qual todos somos apenas humanos. A verdadeira compaixão e o conhecimento do homem tem sido grandemente depreciados como fatos revolucionário no desenvolvimento do homem, assim como acontece com a arte.

Interesse - pg.94

Ternura, amor e compaixão são delicadas experiências de sentimentos. Quero agora cuidar de algumas experiências humanas que não são tão claramente identificadas como sentimentos, sendo mais tratadas como atitudes. Sua diferença é que elas não expressam a inter-relaçao com outra pessoa, sendo mais propriamente, contidas dentro da pessoa  e que se referem a outros.

Interesse – usando em sentido original e mais profundo, e isso representa devolver-lhes sua própria dignidade.

Interesse vem do latim interesse, isto é, estar entre. Se estou interessado, devo transcender meu ego, ser aberto para o mundo e saltar dentro dele. O interesse baseia na atividade. É a atitude relativamente constante que permite que, a qualquer momento, a pessoa compreenda, intelectualmente e também emocional e sensualmente, o mundo exterior. A pessoa interessada torna-se interessante para outras porque o interesse tem uma qualidade infecciosa que desperta interesse nos que não podem iniciá-lo sem ajuda. O significado de interesse torna-se ainda mais claro quando pensamos no seu oposto: a curiosidade. A pessoa curiosa é basicamente passiva. Ela quer ser alimentada com conhecimento e sensações em nunca se satisfaz porque a qualidade da informação e um substituto para a qualidade da profundidade do conhecimento. A curiosidade, pela sua própria natureza, realmente nunca responde à pergunta: Quem á a outra pessoa?


O interesse tem muitos objetos: pessoas, plantas, idéias e depende, até certo ponto do caráter especifico de uma pessoa quanto ao que  saio os seus interesses. Os objetos são secundários, o interesse é uma atitude que tudo penetra e uma forma de inter-relaçao com o mundo e, num sentido muito amplo defini-lo como o interesse da pessoa viva em tudo o que vive e que cresce. Se o interesse é genuíno desperta o interesse em outros setores.

Responsabilidade – pg.95,96 identidade e integridade
Dever é um conceito no âmbito da passividade enquanto responsabilidade é um conceito no âmbito da liberdade. A consciência humanista é a disposição para ouvir a voz da sua própria humanidade e independem  de ordens dadas por qualquer outra pessoal. Dever vem da consciência autoritária.

Identidade – pg. 96,97,98
Identidade não diz respeito a coisas, mas somente ao homem.

È uma experiência que permite que uma pessoa diga legitimamente eu – eu como um centro organizador ativo da estrutura de todas as minhas atividade, reais ou potenciais. Essa experiência do eu só existe no estado de atividade espontânea, mas não existe no estado de passividade ou semi-atençao, um estado em que as pessoas estão suficientemente despertas para cuidas dos seus negócios, mas não o bastante para sentir um eu como o centro ativo dentro de si mesma. Esse conceito de eu é diferente do conceito de ego. A experiência do meu ego é ]a experiência de mim mesmo como uma coisa, do corpo que tenho, da memória que tenho, do dinheiro, casa, posição social. Poder, filhos e dos problemas que tenho. Encaro-me como a UMA COISA, E NO MEU PAPEL SOCIAL É OUTRO ATRIBUTO DE CONDIÇAO FISICA. Muita gente confunde facilmente a identidade do ego com a identidade do eu ou personalidade. A diferença é fundamental. A experiência do ego e da identidade do ego é baseada no conceito de ter. Eu tenho como tenho todas as outras coisas que este mim possui. A identidade do eu ou personalidade refere-se á categoria de ser e não de ter. Eu sou eu na medida em que alcanço minha integração entre a minha aparência – para outros e para mim mesmo – e o âmago da minha personalidade de identidade do nosso tempo é baseada essencialmente e concretização cada vez maiores do homem na media em que o homem retornar novamente a ser ativo.. Não existem atalhos para a crise de identidade exceto a transformação do homem alienado no homem vivo.

Sinto-me triste, confuso. O ego estático e imóvel relaciona-se com o mundo em termos de ter objetos, ao passo que a personalidade está relacionada com o mundo no processo de participação. O homem moderno tem tudo, um carro, casa, emprego filhos problemas – Ele não é nada.

Um conceito que pressupõe o de identidade é o da integridade. Integridade significa uma disposição de não violar sua própria identidade nas muitas maneiras como essa violação PE possível. Às vezes as pessoas tem um senso de identidade inconsciente, quando cedem à tentação de violar sua identidade tem um sensação de culpa

A identidade e a integridade nos leva a mencionar  a vulnerabilidade.

Vulnerabilidade – pg.98,99
O individuo que se sente como um ego e cujo sentido de identidade é o da identidade do ego naturalmente quer proteger essa coisa – ele, seu corpo, memória, propriedade, etc, mas também suas opiniões e investimentos emocionais que se tornaram parte do seu ego. Ele está constantemente na defensiva contra qualquer um ou qualquer experiência que possa perturbar a permanência e a solidez da sua existência mumificada. Em contraste, a pessoa que se sente como não tendo, e sim como sendo, permite-se ser vulnerável. Nada lhe pertence senão que ela é estando viva. Mas em cada momento que perde seu senso de atividade, em que esta desconcentrada, ela corre o perigo de não ter nada e de ser ninguém. Esse perigo só pode ser enfrentado estando-se constantemente alerta, desperto e ativo e ela, é vulnerável, em comparação com o homem-ego, que está seguro porque ele tem sem ser.

Agora falaríamos da esperança, fé e da coragem como outras experiências humanas.

Outra experiência humana que está implicitamente subjacente nos conceitos estudados a Transcendência.

Transcendência – pg. 99

A base da ternura, compaixão, interesse, responsabilidade é precisamente a de ser versus ter. Significa abandonar o próprio ego, abandonar a cobiça, esvaziar-se a fim de se encher de si mesmo a fim de ser rico.

Em nosso desejo de sobreviver fisicamente, obedecendo ao impulso biológico gravado em nós desde o nascimento e transmitido pelos milhões de anos de evolução. O de estar vivo para além da sobrevivência é a criação do homem na historia, sua alternativa para o desespero e o fracasso.

Este estudo das experiências humanas culmina na afirmação de que a liberdade é uma qualidade de ser plenamente humano. Porque transcendemos o âmbito da sobrevivência física e porque não somos impulsionados pelo medo, impotência, narcisismo, dependência etc., transcendemos a compulsão Amor, ternura, razão, interesse, integridade e identidade são todos filhos da liberdade.

Valores e Normas - pg. 100,102,103,104

O homem tem necessidade de ter valores que orientem suas ações e sentimentos.

Pg.135,136

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[1] O pensamento paranóide  é caracterizado pelo fato de que pode ele ser completamente lógico, embora careça de investigação da realidade; a lógica não exclui a loucura.
[2] Ozbekhan afirmou que o planejamento normativo deve preceder o planejamento estratégico e tático.
[1] Fé significa certeza em hebraico. Amém quer dizer certamente.

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